quinta-feira, 22 de novembro de 2007

DECLARAÇÃO

Você incorporou meu jeito de ser, como um objeto que vai se humanizando ao contato da gente. Você passou a usar os meus jargões, as minhas piadas repetidas, as minhas gírias, o meu sotaque. E quando você começou a usar “Verdana 10” só porque essa era a fonte que eu mais usava?

Agora eu vi que, contraditoriamente, foi você quem saiu ganhando. Nessa brincadeira foi um tanto de você que acabou se impregnando em mim. Ou então, sem perceber, você saiu levando um pedaço meu; covardemente.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Eu não sou daqui

Como prometido há meses atrás, mais músicas para download. Essa se chama "Eu não sou daqui" e foi escrita já há algum tempinho...

(É interessante ouvir a música num fone de ouvido porque essas caixinhas tradicionais de computador não emitem o grave direito e você não vai conseguir ouvir o som do contra-baixo. A não ser que você tenha caixas de home theater no seu PC.)

EU NÃO SOU DAQUI

Eu não sou daqui, eu sei
Eu não pertenço a este lugar
P’ronde eu devo ir, não sei
Eu sei que eu não devo ficar

Onde está o abrigo mais seguro pra eu poder morar?
Mandem construir um muro impossível de saltar.

Hoje eu vou dar uma festa
e não vou convidar ninguém
E ninguém vai perceber
que eu estou longe de mim também;

Já faz tanto tempo que venho tentando me encontrar;
me perdi sozinho e sem caminho,
onde eu vou caminhar?

Eu vou fugir pra bem longe daqui
Pra onde nem eu mesmo possa estar
Eu vou fugir pra bem longe daqui
Pra um mundo onde ninguém possa me encontrar.

Meus amigos dizem que se eu não mudar, acabo só;
Mas que vida é essa que me priva do sonho maior
Que é seguir o rumo que encontrei para ser o que eu sou
E andar mesmo sem saber pra ver até aonde eu vou.

Eu vou fugir pra bem longe daqui
Pra onde nem eu mesmo possa estar
Eu vou fugir pra bem longe daqui
Pra um mundo onde ninguém possa me encontrar.

Clique aqui para baixar!

sábado, 22 de setembro de 2007

Mais uma canção

Diamantina

Diamantes cortando corações
De dentro pra fora
Ninguém vê –Nem sente
Seu sorriso rupestre

Nos bares de uma porta só
Nas ruas estreitas
Estas ladeiras que vão dar no céu
Seu sorriso rupestre

Toco o velho violão com os olhos
Como sempre toquei
Minhas mãos tocam
Você
Como nunca toquei
Saudades de um tempo que ainda não veio
De ver no meio do azul
Seu sorriso rupestre

sábado, 15 de setembro de 2007

Triste é não entender a matemática literária que o sonho mais querido nos impõe. É não enxergar um triângulo dentro do outro, na geometria barata que nos escraviza. Triste é compreender a exatidão do mundo; e, ainda assim, buscar se alicerçar no seu lado mais humano.

Triste é saber a tristeza que há de chegar logo, com a noite; e não poder domá-la, mesmo que por amizade e apego; como um domador doma os leões. Triste é não saber desinventar o medo que nos invade, faz morada em nós; se reproduz por dentro, e nos faz seguir serenos, como um rio.

Triste é viver a lucidez imbecil da vida: perceber entre as frinchas das gavetas avisos e previsões; tendo que esperá-los acontecer por não haver forma de se desmaterializar e estar fora do plano terrestre por uma mínima fração de segundo.

Triste é poder contar o tempo que sobra sem fazer juízo do tempo que falta.

Triste é esperar pelo que já aconteceu acreditando que irá acontecer de novo.

Triste é ter um texto inteiro feito apenas por palavras rudes e infiéis, palavras desobedecem ao significado que carregam, vão contra o próprio sentido até perderem sensibilidade. Sem nada sentirem.

Triste é pensar no pouco valor que há nas palavras que jogamos para fora de nós, na tentativa de forçarmos nossa continuação (tentando existir através delas) nas gerações que virão.

Triste é não saber medir. Triste é não conseguir duvidar.

Triste é suplantar a vida com alegria de mentira. Triste é pular carnaval, ser parcela de multidão, se dissolver, homogeneizar-se.

Triste é olhar pra realidade e ver que a vida não passa de uma função do 1º grau.

Triste é repetir no mesmo texto, por centenas de vezes, a palavra vida. A palavra vida é triste em qualquer contexto.

Triste é ouvir o poeta gritar: “Eu posso amar quem eu quiser!” e saber que o poeta é triste.

Triste é não dar a mínima para as pessoas que pensam que você escreve demais sobre coisas tristes.

Triste é se enganar mudando apenas as fronteiras de lugar. Triste é perseguir a inteligência salutar.

Mas triste mesmo é acreditar no, sonhar com e esperar pelo: teletransporte.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

A Falcatrua!


A banda Falcatrua (BH) disponibilizou em seu site todo seu álbum de estréia para download

Falcatrua e o Pau de Arara Espacial é um disco inteligente, carregado de uma brasilidade particular, que poucas bandas carregam. O disco é um daqueles trabalhos que fazem você acreditar que (ainda) vale a pena fazer rock no Brasil.

Divirtam-se!

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

A Rotina dos Sonhos...

Festival da Canção de Lagoa Santa/MG - 14/08/2007




"Arte na Praça " - 03/08/2007 (Praça Dr. Lund - L.S.)


Agosto... mês que vai deixar saudades...


segunda-feira, 20 de agosto de 2007

As Estranhas Sereias


Mais uma letra...

Ela Não Disse Nada

Ela não disse nada
Ela brincou com os vãos
Entre as palavras
E se mandou

Ela não disse nada
Nem sim, nem não
O vazio que se projetou da sua boca
Fez calar tudo ao redor, como uma oração

Ela não disse nada
E agora quem caminha em silêncio
Sou eu
Carregando no peito o estandarte da mudez
Sem nada no peito para bater

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Bonito!



Aí está uma daquelas surpresas que de tão inesperadas fazem você repensar sobre o que é possível nessa vida.

Não há muito o que dizer sobre a participação de Marcelo Camelo no acústico Sandy e Júnior, a não ser: que lindo!

Musiquinha bonita, essa. Estou pensando até em comprar o disco. Acreditem.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

É na praça, é de graça!

Para quem quiser conhecer o Manual Cerebral na sua versão mais sonora a oportunidade é nessa sexta-feira, dia 03/08/2007. Tem show de graça na Praça Dr. Lund, aqui em Lagoa Santa a partir das 20:00. Desta vez a prefeitura deu uma dentro. Vai ser uma noite fantástica com shows de três bandas excelentes. Está todo mundo convidado!

(Se Deus quiser não vai chover...)


Quem viver ouvirá.


Apareçam!

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Idioma

Eu não perdi a vontade de escrever.

Admito minha falta-de-palavra com o mesmo pesar de um pai que deixa faltar comida na mesa de casa; porque vez ou outra encontro um verbo vivo e dele não sei o que fazer. A carência fortifica a medida em que se percebe que o mais propício talvez seja procurar não a melhor palavra para se expressar, mas sim o melhor silêncio. O silêncio que é sólido. O silêncio que diz.

Mesmo nessa minha condição de homem-sem-assunto é difícil imaginar que emane de mim qualquer linguagem que não seja sonora, mas acho que a falta de palavras também é um idioma.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Pensamento Solto no Céu

Eu...
O urubu...

Não sei se já postei isso aqui, mas o bicho que mais gosto de ver voar é o urubu. Silêncio dele no alto do céu. Nestes meses de inverno-o céu azul-vale deitar no chão olhar pra cima e deixar o coração rodopiar como e com os urubus...



quinta-feira, 28 de junho de 2007

Duas Canções



DEIXA O SOL

Deixa o sol morrer
Que a noite quer chegar
Preta sem saber
Do astro- rei- solar

Deixa escurecer
Terra, céu e mar
Que ele vai saber
Qual caminho andar
Ir subterrâneo
Encontrar mil outros corações

Deixa a lua sorrir no céu
Deita em minhas mãos
Porque já é hora de dormir
Sonhar com as estrelas
Que ainda estão por vir



PARA COMEÇAR O DIA

Fecho os meus olhos
Para começar o dia
Para ver por dentro de mim
Onde guardei seu sorriso

Seus olhos sob seus óculos
Suas janelas sob seus olhos
Seu silêncio vai por detrás das janelas
Eu sei

Ah, quem diria?
Já não tenho marcas no pescoço
Aquele dia,lembra?
Mas ainda penso em você
Você...

quarta-feira, 20 de junho de 2007

ACONTECIMENTO

O sangue dos bodes e dos touros
seca no Antigo Testamento.
O maná e a vara dentro da urna
de ouro
desaparecem. Na planície
balouça unicamente
o berço
de feno, concha lumiada
pelo clarão do Paráclito
que é justiça e consolo,
com uma cruz dormindo entre cordeiros.

Nova palavra - Amor - é descoberta
nas cinzas de outra igual e já sem música.

Desde então, fere mais a nostalgia
do sempre, em nosso barro.

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Escapada

Quem nunca viajou durante uma aula, que atire a primeira pedra...
Isso aí era pra ser anotações de Métodos da Análise Geográfica... Era pra ser.