Domingo, 5 de Julho de 2009
Sábado, 30 de Maio de 2009
Raiz
Ontem li uma frase assim: "se as árvores não tivessem raízes, fugiriam dos homens". Comecei então a pensar no quanto a realidade é ambígua. Como é que as raízes que mantém erguida e viva a árvore, podem torná-la também uma presa imóvel e completamente vulnerável?
As árvores que ofertam sombra, as árvores que geram frutos, as árvores que atraem raios, as árvores. Nunca entendi bem porque uma das formas de vida mais antigas do universo não foi capaz de evoluir ao longo do tempo a ponto de se adaptar à condição de vítima-do-homem. Por que é que as árvores não criaram pernas ou asas? Assim seria fácil fugir dos machados, das motosserras, do fogo, das máquinas. Pra que ficar ali, “mamando no sol pelas folhas”? Fotossintetizando?
Talvez o segredo de ser árvore seja justamente a condição de ficar imóvel. Não estamos aptos a ser árvore. Não conseguimos ficar parados por um segundo que seja para observarmos o que acontece ao nosso redor. Pelo contrário, andamos freneticamente por caminhos que acreditamos nos levar a algum lugar e criamos raízes nos solos mais infecundos. Logo onde não deveríamos parar.
Pobres coitados somos nós que tão rapidamente criamos raízes em campos que acreditamos ser férteis. Elos que nos impedem de fugir na hora em que mais precisamos.
Eu me confundo. Às vezes penso ser raiz o que talvez seja só semente. E a semente é o símbolo da incerteza: pode ou não vingar. Plantar sementes é dizer: seja o que Deus quiser. É uma forma legítima de se ter esperança. Não há qualquer garantia de que a semente venha a ser raiz.
Vivo no mundo do ter e estou cada vez mais me acostumando em não ter.
Só resta acreditar que o tempo vai regar a terra onde deixamos plantada aquela frágil esperança. Aí sim fará sentido toda essa história. É preciso ter um tronco forte e saber, sempre que for preciso, brotar do chão.
As árvores que ofertam sombra, as árvores que geram frutos, as árvores que atraem raios, as árvores. Nunca entendi bem porque uma das formas de vida mais antigas do universo não foi capaz de evoluir ao longo do tempo a ponto de se adaptar à condição de vítima-do-homem. Por que é que as árvores não criaram pernas ou asas? Assim seria fácil fugir dos machados, das motosserras, do fogo, das máquinas. Pra que ficar ali, “mamando no sol pelas folhas”? Fotossintetizando?
Talvez o segredo de ser árvore seja justamente a condição de ficar imóvel. Não estamos aptos a ser árvore. Não conseguimos ficar parados por um segundo que seja para observarmos o que acontece ao nosso redor. Pelo contrário, andamos freneticamente por caminhos que acreditamos nos levar a algum lugar e criamos raízes nos solos mais infecundos. Logo onde não deveríamos parar.
Pobres coitados somos nós que tão rapidamente criamos raízes em campos que acreditamos ser férteis. Elos que nos impedem de fugir na hora em que mais precisamos.
Eu me confundo. Às vezes penso ser raiz o que talvez seja só semente. E a semente é o símbolo da incerteza: pode ou não vingar. Plantar sementes é dizer: seja o que Deus quiser. É uma forma legítima de se ter esperança. Não há qualquer garantia de que a semente venha a ser raiz.
Vivo no mundo do ter e estou cada vez mais me acostumando em não ter.
Só resta acreditar que o tempo vai regar a terra onde deixamos plantada aquela frágil esperança. Aí sim fará sentido toda essa história. É preciso ter um tronco forte e saber, sempre que for preciso, brotar do chão.
Domingo, 26 de Abril de 2009
Segunda-feira, 20 de Abril de 2009
Gene Recessivo
Exposição da fotógrafa inglesa Jenny Wicks, na galeria Idea Generation em Londres: Raiz de gengibre: um estudo sobre o cabelo vermelho.
Objetivo: mostrar como a sociedade vê as pessoas ruivas.
Sexta-feira, 10 de Abril de 2009
no meio do caminho
O homem segue brando pelo caminho que lhe é concedido. Não faz idéia do quanto pode haver de certo no seu caminhar errante. O homem mede todas as suas culpas em um único dia. Sente o pesar da realidade e fecha os olhos na intenção de se tornar mais leve. Respira fundo pra voltar à superfície. Enche os pulmões de ar pra se esvaziar de si e prende a respiração por demorados segundos. Nada reduz o incômodo de ser consciente. O homem abre os braços para sentir-se solto. Sabe que é livre na prisão da cidade. Sabe que é frio no calor do tráfego. Sabe que é fraco na força dos ossos. Orienta o vento nos cabelos da mulher que passa. Rejuvenesce o tempo na dobra das rugas. Colore o dia na palidez da sua pele. O homem salva o inseto que se afoga na poça d’água. Sabe que – guardadas as devidas proporções – suas vidas são exatamente iguais em termos de desimportância. Há mais tempo para sofrer do que para ser feliz hoje, agora, no mundo. E um cansaço repentino lhe assola as pernas depois de um dia inteiro andando por calçadas e becos. O sol queimou o quanto pôde sua pele de homem. O asfalto afinou a sola de seus sapatos de homem. A alta temperatura fez evaporar quase todo líquido que havia dentro do seu corpo de homem. Caído ali naquela esquina ele já não é ninguém. Ele é alguém que não se lembra do nome ou do caminho de casa, e que, quando quis gritar, viu sua voz sumir. E ao passar por ali, ninguém repara que havia um homem no meio do caminho.
Quarta-feira, 8 de Abril de 2009
...
Silêncio?
Sim, tá tudo quieto...
Humm...
Mas a moça de vestido verde continua a dançar.
Silenciosamente.
Sim, tá tudo quieto...
Humm...
Mas a moça de vestido verde continua a dançar.
Silenciosamente.
Sexta-feira, 27 de Março de 2009
Estela, por mais essa janela insista em ficar fechada
meu choro é de fachada. não sou tão forte assim
eu meço o prejuízo de se falar a verdade
e prefiro mentir pra ninguém caçoar de mim
Estela, a vida é sempre bela dentro da televisão
mentiras e verdades disputam minha atenção
não fico muito atento aos conflitos do oriente
mas rezo todo dia pra quem está no paredão.
Estela, você não é mais aquela a quem eu pedi a mão
você não é aquela que um dia eu conheci
fala de tantos planos, mas segue vivendo em vão
faz pesar mais o fardo das coisas que eu aprendi.
Estela, você não vê novela pra não se tornar igual
e me diz que saber de tudo é viver em paz
e eu te copio em tudo, mas o máximo que eu posso
é amarrar os cadarços do jeito que você faz.
Estela, daqui da passarela te vejo na arquibancada
mas esse ano meu carnaval está tão ruim
você disse que a festa perdeu todo seu sentido
e não há mais sorriso em meu rosto de arlequim.
Estela, eu sei que a favela virou coisa de cinema
e a nossa vida hoje é mera representação
o tempo passa em nossa frente igualzinho a um filme
resta saber se é drama, comédia ou ficção.
meu choro é de fachada. não sou tão forte assim
eu meço o prejuízo de se falar a verdade
e prefiro mentir pra ninguém caçoar de mim
Estela, a vida é sempre bela dentro da televisão
mentiras e verdades disputam minha atenção
não fico muito atento aos conflitos do oriente
mas rezo todo dia pra quem está no paredão.
Estela, você não é mais aquela a quem eu pedi a mão
você não é aquela que um dia eu conheci
fala de tantos planos, mas segue vivendo em vão
faz pesar mais o fardo das coisas que eu aprendi.
Estela, você não vê novela pra não se tornar igual
e me diz que saber de tudo é viver em paz
e eu te copio em tudo, mas o máximo que eu posso
é amarrar os cadarços do jeito que você faz.
Estela, daqui da passarela te vejo na arquibancada
mas esse ano meu carnaval está tão ruim
você disse que a festa perdeu todo seu sentido
e não há mais sorriso em meu rosto de arlequim.
Estela, eu sei que a favela virou coisa de cinema
e a nossa vida hoje é mera representação
o tempo passa em nossa frente igualzinho a um filme
resta saber se é drama, comédia ou ficção.
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