sexta-feira, 29 de setembro de 2006

ABRIGO




Onde habita o segredo
De ser sem mostrar pra vida
Chegou o novo pescado
Presente do dia-a-dia
E os filhos chegam correndo
Pro encontro com os pais e barcos
Que no esplendor dos sorrisos
Se aliviam como o mar

E os pés ficam marcados
Na trilha feita na areia
Caminho até o abrigo
De todo contentamento
Ali não vive tormento
O mar acalenta a vida
A calma vem com o vento
E o pão de todos os dias
Como um milagre não cessa
Sempre se deixa encontrar

Sem saber que é parte grande
Dessa engrenagem que move
O peixe que é alimento;
É animal de estimação.

No mar que mata a sede
Do sol que queima o asfalto
Onde ainda andam a margem
Os pescadores vigiam:

Janelas bebem o vento.
Homens sonham com o mar.

Ao encontrar o pescado
A vida toda é um sonho
Quase tudo é garantia
A maré traz o amanhã
Pois tudo que há nesse mundo
É menor que o oceano
Que reflete sobre a terra
(luz) sem encontrar conclusão

Onde habita o segredo
Um muro divide a vida
O dia de cada dia
Sempre renasce com o sol
E sempre estão separados
O mar e o resto do mundo

Os pescadores de um lado;

Os pecadores do outro.

2 comentários:

Paula Ribeiro disse...

...e a gente no meio do caminho, admirando essa água que não pode ser bebida.

Alves disse...

Pescando ilusões, heim Raul?
Muito bom isso aí...