segunda-feira, 12 de março de 2007

Correlações




Pesquisando sobre quem foi Paulo Freire e sua real importância para a educação popular no Brasil, sobretudo na proposta de alfabetização de adultos, descobri de cara que sobre sua obra havia um número maior de textos escritos em outras línguas do que em nossa própria língua.

Felizmente, essa parte triste da história foi compensada com a mais bonita das recompensas que me foram trazidas por essa humilde empreitada. Uma frase de Paulo que se tornou quase uma ideologia de vida:

"Eu sou um intelectual que não tem medo de ser amoroso, eu amo as gentes e amo o mundo. E é porque amo as pessoas e amo o mundo, que eu brigo para que a justiça social se implante antes da caridade."

Só a partir daí é fui entender porque Chico César, na excelente canção “Beradêro”, citava o nome do professor.

BERADÊRO

Os olhos tristes da fita
Rodando no gravador
Uma moça cosendo roupa
Com a linha do Equador

E a voz da Santa dizendo
O que é que eu tô fazendo
Cá em cima desse andor

A tinta pinta o asfalto
Enfeita a alma motorista
É a cor na cor da cidade
Batom no lábio nortista

O olhar vê tons tão sudestes
E o beijo que vós me nordestes
Arranha céu da boca paulista

Cadeiras elétricas da baiana
Sentença que o turista cheire
E os sem amor os sem teto
Os sem paixão sem alqueire

No peito dos sem peito uma seta
E a cigana analfabeta
Lendo a mão de Paulo Freire

A contenteza do triste
Tristezura do contente
Vozes de faca cortando
Como o riso da serpente
São sons de sins, não contudo
Pé quebrado verso mudo
Grito no hospital da gente

Iê iê iê, iê iê iê
Iê iê Iê, iê iê iê
Catulé do Rocha
Praça de guerra
Catulé do Rocha
Onde o homem bode berra

Bari bari bari
Tem uma bala no meu corpo
Bari bari bari
E não é bala de côco

São sons, são sons de sins
São sons, são sons de sins
São sons, são sons de sins

Não contudo
Pé quebrado, verso mudo
Grito no hospital da gente

Palavras para transbordar o coração...

5 comentários:

Fernanda disse...

Nossa, gosto muito de Paulo Freire. Ele foi uma das fontes básicas na realização do meu projeto de conclusão de curso. Trabalhamos com o que ele chama de pesquisação (que é ir vivenciar o objeto que você quer estudar). Que é diferente de pesquisa (que é estudar um tema por meio de livros e tal). Nossa, me deu até saudades dessa época agora, Raul.
Bjos!

Paula Ribeiro disse...

que bacana, hein?

beijos

Alves disse...

Conheci parte da obra de Paulo Freire recentemente... Realmente é o mais belo exemplo de educação humanizante e humanizada. Um Recado pra gente que não acredita no nosso povo sofrido, em nós...

Sam disse...

sou seguidora, mesmo incociente, de Paulo Freire. Bacana!

Anônimo disse...

Obrigado por Blog intiresny