quarta-feira, 11 de abril de 2007

Animal

Hoje um pica-pau-anão me acordou por volta das cinco da matina. Estava procurando o seu café da manhã no pau-terra que fica bem em frente ao meu quarto. Levantei meio cambaleante e fui conferir se era mesmo o minúsculo passarinho. E lá estava ele compenetrado na sua tarefazinha. Devia chamar pica-pau-despertador. Já sem muito saco pra voltar pra cama fiz um café e fui até o quintal espiar as larvas de serra-pau (uma espécie de besouro que tem o nome mais sádico que já ouvi). Fora serem transparentes, o que possibilita ver seus órgãos internos, elas até que são bonitinhas... Tem umas perninhas engraçadas que não servem pra nada, tipo perna de top model - aquela secura. A casa (e gourmet) delas é um mourão velho que servia como varal. Eu ia jogar o mourão fora, mas “criei dó” como se diz por essas bandas e resolvi preservar esse estranho berçário no quintal. Dei também uma espiada na moradora que mais incomodo aqui em casa. Uma perereca (nome que considero feio, mas que sempre me traz boas lembranças) que mora em uma bromélia que tenho. Como a planta acumula água, preciso trocar a cada semana essa água que fica retida. Aí... Tira perereca - coloca perereca num vidrinho de maionese - lava a bromélia - coloca perereca na planta de novo... Um saco. Eu, se fosse ela, já tinha me mudado à muito tempo; e ela, se fosse eu, provavelmente não teria uma bromélia. Como já eram quase sete horas fiquei esperando passar o casal de papagaios que dá as caras por aqui neste horário. Passou um só, sozinho. Devem ter brigado. Papagaios além de serem monogâmicos, são muito temperamentais. Pensem só no que isso pode dar... A tristeza dele (ou dela) dava pra ver de longe. Amanhã quero ver se o casal volta, e passa aqui com aquela conversa de papagaio deles. Quase na hora de ir trabalhar... Procurei algum urubu no céu, porque gosto de ver urubu voar. Gosto desde menino. Aquela calma. Mas hoje não vi nenhum, não. Peguei o ônibus das oito, ou foi ele quem me pegou? Nestas horas penso como bicho. O Ônibus vem e engole as pessoas todas, e depois sai cagando gente cidade afora. Gosto de pensar como bicho...

3 comentários:

Raul disse...

Muito foda esse texto, cara!
Lendo agora, mais formatadinho, fica mais bela a riqueza de cada detalhe. Quem souber ler nas entrelinhas vai perceber a primorosa veia "roseana" evidente outra vez. Também acho muito prazeroso viajar pelas "...alturas de urubuir...", como diria o saudoso Rosa. Engraçado...talvez isso seja um resto de sonho de menino, que apesar do passar do tempo, ainda trazemos com a gente...

Fernanda disse...

Pois sim, o Raul tem razão. E, além das entrelinhas roseanas, seu texto me lembrou aulas de bilogia sobre ecossistemas. Me lembrou também que o criador do Pica Pau (o desenho) inventou o personagem após passar sua noite de núpcias sendo atormentado por um.
Beijos!
p.s: ah, Alves, eu adoro o Maquinarama tb.

Sam disse...

bem legal. tb tive todas essas sensações da ferdi, rs