Domingo de manhã passou pela rua um boi.
Seu passo escravo, sua cara de rei, seu jeito manso de ser boi e
contemplar a liberdade que não existe nem se
quer por um dia inteiro, mas no pouco que dura é maior que
todos os dias, é grande o bastante pra lhe deixar descobrir
que o asfalto também é chão, e que revirar o lixo é mais
fácil que procurar por capim.
No cotidiano urbano, segue o boi vira-lata, que passa pelo açougue
e faz o sinal da cruz (em pensamento).
Seguindo sempre a sina. Balançando o sino num aviso inútil.
Andando devagar, sem se deixar ir pela pressa da cidade.
Domingo de manhã a vida cheira a estrume e piche sob a luz do sol.
domingo, 28 de maio de 2006
segunda-feira, 15 de maio de 2006
Eu sempre vou esperar pelo sorriso raro nas segundas-feiras de manhã.
E acreditar que a vida na sua brevidade vai me oferecer boas opções.
Vou me conformar ao descobrir que o querer ser é anestesia da nossa própria
consciência contra a verdade cruel de que somos absolutamente limitados.
Vou até me contentar quando lembrar que percebi antes de muitos
que pouco importa se cantamos certinho, sem sair do tom.
O que vale é o que é dito.
Melhor continuar tentado entender um pouquinho de tudo que acontece ao redor.
Enxergar as coisas simples de onde emanam forças que transformam coisas maiores.
Vou acreditar que o céu não é tão alto, e que eu sou muito leve.
Leve como uma pena.
E acreditar que a vida na sua brevidade vai me oferecer boas opções.
Vou me conformar ao descobrir que o querer ser é anestesia da nossa própria
consciência contra a verdade cruel de que somos absolutamente limitados.
Vou até me contentar quando lembrar que percebi antes de muitos
que pouco importa se cantamos certinho, sem sair do tom.
O que vale é o que é dito.
Melhor continuar tentado entender um pouquinho de tudo que acontece ao redor.
Enxergar as coisas simples de onde emanam forças que transformam coisas maiores.
Vou acreditar que o céu não é tão alto, e que eu sou muito leve.
Leve como uma pena.
sábado, 6 de maio de 2006
Palavras de tempos atrás...
ESPERA
N’algum lugar do futuro,
alguém já corrompeu minhas verdades:
Nada posso fazer senão viver o que vier.
Eu vou continuar cavando o chão,
furando buracos em que nem se
quer vou me esconder. Acreditar
que minha esperança dure mais um ano.
Não morrer de sede.
Conquistar coisas tão descartáveis
quanto meu próprio destino.
Perder todos os poucos amigos;
saber das alegrias poucas que hão de vir
e, ainda assim (que pena), não poder viver
para as contemplar.
N’algum lugar do futuro,
alguém já corrompeu minhas verdades:
Nada posso fazer senão viver o que vier.
Eu vou continuar cavando o chão,
furando buracos em que nem se
quer vou me esconder. Acreditar
que minha esperança dure mais um ano.
Não morrer de sede.
Conquistar coisas tão descartáveis
quanto meu próprio destino.
Perder todos os poucos amigos;
saber das alegrias poucas que hão de vir
e, ainda assim (que pena), não poder viver
para as contemplar.
quarta-feira, 3 de maio de 2006
O início do fim...

Ontem a noite eu cheguei em casa – cansado, pra variar – depois de mais um dia longo de trabalho e estudo. Liguei a TV e sem medo, fui trocando de canal pra averiguar nosso saboroso menu de programas depois das onze. Antes que vocês perguntem eu já vou dizendo: eu não acompanho o “Programa do Leão”, mas não sei como uma estranha força que tomou minhas mãos fez com que eu não conseguisse mais mudar de canal depois do que vi...
Eram três gostosas de fio dental, com uma camisa branca de algodão e sem sutiã. A moral da brincadeira era os caras espirrarem água com uma pistolinha de plástico na altura dos seios das gostosas para que a camisa se molhasse, ficasse transparente e eles pudessem ler a frase que estava colada no acima dos seios delas. Quem conseguisse ler a frase por inteiro primeiro sagrava-se o campeão.
Fiquei pensando: esse tal de Leão deve estar investindo pesado pra tentar ganhar do Gugu, do Datena, João Cléber e/ou Otávio Mesquita e afins...
Depois ainda aconteceu uma prova onde os caras tinham que comer olhos de cabra, testículos de búfalo, amídalas de rinoceronte e mais uma pá de merdas desse tipo. Engraçado era quando eles faziam aquelas caras super naturais do tipo: “Ah, isso aqui até que é gostoso, eu não tô achando ruim não gente, imagina...” obviamente depois daquilo o cara deve ter ou cagado até alma ou vomitado até as tripas, mas isso não vem ao caso.
Pensa só: mulher pelada sempre deu e sempre dará audiência no Brasil, mas comer porcarias gosmentas e excrementos animais? Isso é o fim!
Enfim, cheguei a conclusão de que alguns apresentadores de TV estão levantando um verdadeiro império da baixaria depois do horário nobre e disputando com todas as forças o posto de rei dos números do Ibope.
Desliguei a TV e fui “tentar” dormir.
Eram três gostosas de fio dental, com uma camisa branca de algodão e sem sutiã. A moral da brincadeira era os caras espirrarem água com uma pistolinha de plástico na altura dos seios das gostosas para que a camisa se molhasse, ficasse transparente e eles pudessem ler a frase que estava colada no acima dos seios delas. Quem conseguisse ler a frase por inteiro primeiro sagrava-se o campeão.
Fiquei pensando: esse tal de Leão deve estar investindo pesado pra tentar ganhar do Gugu, do Datena, João Cléber e/ou Otávio Mesquita e afins...
Depois ainda aconteceu uma prova onde os caras tinham que comer olhos de cabra, testículos de búfalo, amídalas de rinoceronte e mais uma pá de merdas desse tipo. Engraçado era quando eles faziam aquelas caras super naturais do tipo: “Ah, isso aqui até que é gostoso, eu não tô achando ruim não gente, imagina...” obviamente depois daquilo o cara deve ter ou cagado até alma ou vomitado até as tripas, mas isso não vem ao caso.
Pensa só: mulher pelada sempre deu e sempre dará audiência no Brasil, mas comer porcarias gosmentas e excrementos animais? Isso é o fim!
Enfim, cheguei a conclusão de que alguns apresentadores de TV estão levantando um verdadeiro império da baixaria depois do horário nobre e disputando com todas as forças o posto de rei dos números do Ibope.
Desliguei a TV e fui “tentar” dormir.
sexta-feira, 28 de abril de 2006
Mais e mais...

Se nos faz bem, acaba por ser útil. Mais uma então.
...e a felicidade real presente na "verdade" cruel.
Verdade
A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade voltava
igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.
Arrebentaram a porta.
Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso onde a verdade
esplendia seus fogos.
Era dividida em metades diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar.
Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.
Carlos Drummond de Andrade
terça-feira, 25 de abril de 2006
Por um dedo de prosa

Nada mais propício para uma postagem longa do que a fala comprobatória da própria falta do que falar.
Ninguém mais propício do que C. D. A. para assumir essa incumbência. Lê-lo outra e outra vez e novamente emocionar-se...
Hoje não escrevo
Chega um dia de falta de assunto. Ou, mais propriamente, de falta de apetite para os milhares de assuntos.
Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado, as letras se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olho na maquininha. O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir a marginália, purê de palavras, reflexos no espelo (infiel) do dicionário.
O que você perde em viver, escrevinhando sobre a vida. Não apenas o sol, mas tudo que ele ilumina. Tudo que se faz sem você, porque com você não é posspivel contar. Você esperando que os outros vivam para depois comentá-los com a maior cara-de-pau (“com isenção de largo espectro”, como diria a bula, se seus escritos fossem produtos medicinais). Selecionando os retalhos de vida dos outros, para objeto de sua divagação descompromissada. Sereno. Superior. Divino. Sim, como se fosse deus, rei proprietário do universo, que escolhe para o seu jantar de notícias um terremoto, uma revolução, um adultério grego - à vezes nem isso, porque no painel imenso você escolhe só um besouro em campanha para verrumar a madeira. Sim, senhor, que importância a sua: sentado aí, camisa berta, sandálias, ar condicionado, cafezinho, dando sua opinião sobre a angústia, a revolta, o ridículo, a maluquice dos homens. Esquecido de que é um deles.
Ah, você participa com palavras? Sua escrita - por hipótese - transforma a cara das coisas, há capítulos da História devidos à sua maneira de ajuntar substantivos, adjetivos, verbos? Mas foram os outros, crédulos, sugestionáveis, que fizeram o acontecimento. Isso de escrever O Capital é uma coisa, derrubar as estruturas, na raça, é outra. E nem sequer você escreveu O Capital. Não é todos os dias que se mete uma idéia na cabeça do próximo, por via gramatical. E a regra situa no mesmo saco escrever e abster-se. Vazio, antes e depois da operação.
Claro, você aprovou as valentes ações dos outros, sem se dar ao incômodo de pratocá-las. Desaprovou as ações nefandas, e dispensou-se de corrigir-lhe os efeitos. Assim é fácil manter a consciência limpa. Eu queria ver sua consciência faiscando de limpeza é na ação, que costuma sujar os dedos e mais alguma coisa. Ao passo que, em sua protegida pessoa, eles apenas se tisnam quando é hora de mudar a fita no carretel.
E então vem o tédio. De Senhor dos Assuntos, passar a espectador enfastiado de espetáculo. Tantos fatos simultâneos e entrechocantes, o absurdo promovido a regra de jogo, excesso de vibração, dificuldade em abranger a cena com o simples par de olhos e uma fatigada atenção. Tudo se repete na linha do imprevisto, pois ao imprevisto sucede outro, num mecanismo de monotonia... explosiva. Na hora ingrata de escrever, como optar entre as variedades de insólito? E que dizer, que não seja invalidado pelo acontecimento de logo mais, ou de agora mesmo? Que sentir ou ruminar, se não nos concedem tempo para isso entre dois acontecimentos que desabam como meteoritos sobre a mesa? Nem sequer você pode lamentar-se pela incomodidade profissional. Não é redator de boletim político, não é comentarista internacional, colunista especializado, não precisa esgotar os temas, ver mais longe do que o comum, manter-se afiado como a boa peixeira pernambucana. Você é o marginal ameno, sem responsabilidade na instrução ou orientação do público, não há razão para aborrecer-se com os fatos e a leve obrigação de confeitá-los ou temperá-los à sua maneira. Que é isso, rapaz. Entretanto, aí está você, casmurro e indisposto para a tarefa de encher o papel de sinaizinhos pretos. Concluiu que não há assunto, quer dizer: que não há para você, porque ao assunto deve corresponder certo número de sinaizinhos, e você não sabe ir além disso, não corta de verdade a barriga da vida, não revolve os intestinos da vida, fica em sua cadeira, assuntando, assuntando...
Então hoje não tem crônica.
Carlos Drummond de Andrade.
domingo, 23 de abril de 2006
Tudo pelos ares...

Eu não tenho nem um tipo de fanatismo por presidentes loucos, mas tenho me sentido quase obrigado a fazer essas últimas postagens no manual. Hoje eu resolvi trazer um outro maluco (e esse é maluco mesmo!) que comanda o Irã, um dos países mais problemáticos do Oriente.
Mahmoud Ahmadinejad, eleito na última eleição presidencial do país, é no mínimo um cara corajoso. Entretido em projetos de aperfeiçoamento das usinas que produzem combustível nuclear, o cara já declarou aos EUA que o Irã não tem o menor propósito de limitar o projeto a experiências que não incluam urânio (ingrediente principal na fabricação de bombas nucleares).
É claro que isso gera uma preocupação global por ser algo realmente sério, mas o lado bom de tudo isso é saber que mais uma vez G. W. Bush vai molhar as calças de medo. Se existe alguém que pode ser usado como cobaia para o experimento de uma B.A., esse alguém são os EUA.
É incrível ver países de economia tão pequena usufruindo de tão alta tecnologia - pena que mais uma vez usando-a para o mal.
Eu fico pensando: enquanto inspetores internacionais de agências de segurança mundial, como a AIEA, a ONU e mais um renca de zeladores da paz estão passando noites em claro tentando descobrir um forma de deter esses extremistas que surgem de tempo em tempo, o próprio Bush e o Ahmadinejad devem estar na privada, cagando e pensando o que fazer pra destruir mais rápido um ao outro.
Nós somos só telespectadores. Vítimas, mas telespectadores.
quinta-feira, 20 de abril de 2006
"Carreira" de sucesso

O rapaz simpático aí do lado é ninguém menos do que o homem que quer fazer da Bolívia o maior fornecedor de matéria prima para fabricação de cocaína no planeta. Juan Evo Morales Ayma é seu nome. Morales é o atual presidente do país e líder do movimento esquerdista boliviano cocalero, uma federação de agricultores que tem por tradição o cultivo de coca para atender um costume milenar da nação que é mascar folhas de coca. De origem ameríndia, da etnia aymará, o cara é um dos indígenas mais famosos da história da Bolívia.
Fã declarado de Fidel Castro, pelo fato do cara ser figura evidente na oposição à política norte-america, Morales não poupa argumentos em seus discursos e propõe que o problema da cocaína seja resolvido do lado do consumo.
É claro que o cara está mais que certo.
Primeiro porque o patrimônio cultural dos povos andinos (e de qualquer outro povo) é parte inseparável da cultura boliviana e não uma simples regulação de uma convenção estrangeira, e segundo porque por mais que a Bolívia possa se tornar uma potência mundial cultivando papoula (e essa possibilidade faz G. W. Bush se mijar de medo) não é direito de país algum definir as regras a serem seguidas por todos os homens.
Cocaína é uma droga ilícita, viciante e prejudicial à saúde, certo? mas coca-cola também é uma droga, viciante e prejudicial à saúde. A diferença é que coca-cola é lícita. Merda!
terça-feira, 18 de abril de 2006
Apocalypse Please!

Ontem se completaram 10 anos desde o massacre de Eldorado dos Carajás. Todos os jornais mostraram as manifestações do MST criticando o comportamento dos militantes que mais uma vez protestaram e até saquearam caminhões num protesto por rodovias em nove estados do Brasil. Eu tenho apenas uma pergunta: será que a imprensa esperava que eles se reunissem, se abraçassem e cantassem músicas em homenagem aos companheiros assassinados?
O MST reivindicou um novo julgamento para 142 soldados, cabos e sargentos absolvidos pelo Tribunal do Júri em dezembro de 2004. Já o coronel Mário Pantoja, condenado a 228 anos, e o major José Maria Oliveira, condenado a 158 anos, respondem em liberdade concedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao recurso contra a condenação.
O fato é tão sério e evidente que há pessoas do mundo todo protestando. Um grupo de entidades de defesa de direitos humanos e ligadas à América Latina promoveu nesta segunda-feira em Washington uma passeata para lembrar os dez anos do massacre. No Brasil todos viram mais uma vez, pelos arquivos dos telejornais, as cenas da luta armada. Novamente todos agiram com a mesma indiferença, como se o incidente tivesse acontecido ontem.
O que revolta é saber que todos os dias surgem sindicatos e movimentos novos, com militantes novos com problemas novos para serem resolvidos, mas o problema da reforma agrária que é muito maior, mais velho e consequentemente mais importante do que qualquer um desses, ainda está por resolver.
É duro ter que enxergar a impunidade gritante presente nesse acontecimento, mas nós estamos num país onde o Ministro da Justiça está sendo investigado por suspeita de envolvimento em crime de quebra de sigilo bancário ao mesmo tempo em que a Kelly Key ganha um disco de ouro no Domingão do Faustão. Nessas horas em que as aberrações surgem todas de uma vez eu penso que quando o fim do mundo chegar, o Brasil vai ser um dos primeiros a ir pelos ares.
O que vai nos exterminar primeiro? A guerra ou a mediocridade?
segunda-feira, 17 de abril de 2006
Fala

Olá meus caros!
Recebi nessa Páscoa recém findada várias manifestações a respeito do manual por parte de meus (fiéis) leitores. Uns me disseram sobre a necessidade de alimentar esse blog, outros protestaram. Pediram que eu guardasse para mim minha filosofia.
O fato é que a liberdade de expressão ainda é o maior tesouro que um cidadão brasileiro pode ter, convenhamos. Se eu privar o mundo de conhecer meus pensamentos não vou me sentir satisfeito.
O desabafo vale mesmo pelo desabafo. E enquanto isso os cães ladram.
quarta-feira, 5 de abril de 2006
Retrocesso

Opa!
Já havia um tempo que eu não dava as caras por aqui. Acho que por carecer cada vez mais de tempo, tive receio de escrever qualquer merda e comprometer a qualidade do conteúdo do manual. Percebi que era bobagem essa preocupação porque primeiro: ninguém (ou quase ninguém) lê o que eu escrevo, e segundo: qualquer um que passe por aqui não tem paciência para ler o texto até o final.
Um amigo me disse que eu deveria trabalhar mais com imagens e menos com palavras, pois isso faria o conteúdo do blog ser mais convidativo. Então eu expliquei que a intenção era justamente o contrário: usar apenas uma figurinha e deixar toda idéia a ser transmitida pela postagem reservada para para o texto, que também resolvi publicar usando "courier", uma fonte feia que camufla a beleza das palavras.
Hoje mesmo eu iria deixar uma postagem sobre um cara na china que estava vendendo terrenos na Lua, e o pior: tinha muita gente comprando...mas aí eu fiquei revoltado com umas coisas que aconteceram aqui e resolvi deixar pra outro dia...
quinta-feira, 23 de março de 2006
Brasil, mostra a sua cara...

Vamos lá:
1° - Eu não estou aqui pra tentar debilitar o mais potente veículo da indústria cultural brasileira.
2° - Não estou tentando entrar para o hall dos elitistas acadêmico-intelectuais, até porque a intenção aqui é falar para todos, para a massa.
3° - Saiba: A TV é um lugar de exibição narcísica, é uma máquina narcísica que fabrica narcisos.
Eu sei e você também sabe que os que comandam a TV partem do pressuposto de que seu papel não é o de educar ou elevar a cultura do telespectador, mas ao contrário, imbecilizá-lo.
Não foi sem sentido que Freud reconhecia que o negativo das neuroses era a perversão. O ser humano - alguns mais que outros - gozam em ver outros através do buraco da fechadura, o que a psicopatologia chama de voyerismo.
Tudo bem, somos reféns de nossas pulsões, no sentido freudiano, que nos empurra mais para o sexo que para o amor, mais para a violência que para a paz, mais a quantidade de estímulos visuais sedutores que pela qualidade de programação, enfim, os dominantes da mídia sabem por que investem mais em ilusão que em verdade, e se nós também temos consciência disso, erramos por opção, certo? Errado!
É preciso analisar a eticidade do espírito capitalista selvagem que comanda a mídia nacional como também entender por que faz sucesso no ser humano: sexo, violência e bisbilhotagem da vida alheia. Eu ainda acho que esse "instinto" incontrolável de saber e acompanhar a intimidade do próximo é fruto de uma educação influenciada pela própria TV. Suspeito até mesmo que há alguma coisa de comum na grande audiência por esses programas e no grande número de fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus ou outra religião que sabe fazer o show da fé de faz de conta.
O certo é que, antes de tudo, devemos ficar alertas para o verdadeiro big brother (falo da ficção "1984", de George Orwel) que é o império das redes de comunicação como é a própria televisão regendo nossas vidas e nos pressionando a abandonar o nosso desejo e ser o desejo deles.
Aí vai a minha humilde teoria:
Não existia paradigma porque gosto era igual a bunda: cada um tinha a sua, no entanto, a televisão tem nos oferecido tantas outras bundas que a gente sabe mais se tem gosto ou se tem bunda...
A solução? mandarmos todas as emissoras de TV tomar na bunda!
1° - Eu não estou aqui pra tentar debilitar o mais potente veículo da indústria cultural brasileira.
2° - Não estou tentando entrar para o hall dos elitistas acadêmico-intelectuais, até porque a intenção aqui é falar para todos, para a massa.
3° - Saiba: A TV é um lugar de exibição narcísica, é uma máquina narcísica que fabrica narcisos.
Eu sei e você também sabe que os que comandam a TV partem do pressuposto de que seu papel não é o de educar ou elevar a cultura do telespectador, mas ao contrário, imbecilizá-lo.
Não foi sem sentido que Freud reconhecia que o negativo das neuroses era a perversão. O ser humano - alguns mais que outros - gozam em ver outros através do buraco da fechadura, o que a psicopatologia chama de voyerismo.
Tudo bem, somos reféns de nossas pulsões, no sentido freudiano, que nos empurra mais para o sexo que para o amor, mais para a violência que para a paz, mais a quantidade de estímulos visuais sedutores que pela qualidade de programação, enfim, os dominantes da mídia sabem por que investem mais em ilusão que em verdade, e se nós também temos consciência disso, erramos por opção, certo? Errado!
É preciso analisar a eticidade do espírito capitalista selvagem que comanda a mídia nacional como também entender por que faz sucesso no ser humano: sexo, violência e bisbilhotagem da vida alheia. Eu ainda acho que esse "instinto" incontrolável de saber e acompanhar a intimidade do próximo é fruto de uma educação influenciada pela própria TV. Suspeito até mesmo que há alguma coisa de comum na grande audiência por esses programas e no grande número de fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus ou outra religião que sabe fazer o show da fé de faz de conta.
O certo é que, antes de tudo, devemos ficar alertas para o verdadeiro big brother (falo da ficção "1984", de George Orwel) que é o império das redes de comunicação como é a própria televisão regendo nossas vidas e nos pressionando a abandonar o nosso desejo e ser o desejo deles.
Aí vai a minha humilde teoria:
Não existia paradigma porque gosto era igual a bunda: cada um tinha a sua, no entanto, a televisão tem nos oferecido tantas outras bundas que a gente sabe mais se tem gosto ou se tem bunda...
A solução? mandarmos todas as emissoras de TV tomar na bunda!
terça-feira, 21 de março de 2006
Nossa microeternidade

Com essa afirmação vimos o peso da responsabilidade de sermos livres e frente a essa liberdade, a gente se angustia porque a liberdade implica em escolha, que só o próprio indivíduo pode (ou não pode) fazer.
Muitos de nós paralisamos e, assim, achamos que não fomos obrigados a escolher. No entanto, a não ação, por si só, já é uma escolha.
Você se pergunta: Ah, então eu devo respeitar as pessoas que optam por vegetar o resto da vida e apenas produzir lixo e ocupar espaço no mundo?
A escolha de adiar a existência, adiando os riscos para não errar e gerar culpa, é uma tônica na sociedade contemporânea. Arriscar-se, procurar a autenticidade, é uma tarefa árdua, uma jornada pessoal que o ser deve empreender em busca de si mesmo.
Ao penetrar na escola do pensamento e desmembrar sem receio o que há de compreensível na filosofia barata a qual nos submetemos aqui, podemos ver o quanto somos impiedosos uns com outros. Há quem garanta que não há motivos para estarmos aqui, e que a terra é um planeta que existe sem razão, sobre qual a importância de cada um no mundo e o objetivo da criação...e agora?
Bom, eu não quero tentar dar respostas demais para esse tipo de assunto, até porque eu também coleciono interrogações e procuro não me influenciar por questões existenciais. Apenas acredito que o remédio para o mundo sempre foi e sempre será o simples ato de amor ao próximo.
Você se pergunta: Ah, então eu devo respeitar as pessoas que optam por vegetar o resto da vida e apenas produzir lixo e ocupar espaço no mundo?
A escolha de adiar a existência, adiando os riscos para não errar e gerar culpa, é uma tônica na sociedade contemporânea. Arriscar-se, procurar a autenticidade, é uma tarefa árdua, uma jornada pessoal que o ser deve empreender em busca de si mesmo.
Ao penetrar na escola do pensamento e desmembrar sem receio o que há de compreensível na filosofia barata a qual nos submetemos aqui, podemos ver o quanto somos impiedosos uns com outros. Há quem garanta que não há motivos para estarmos aqui, e que a terra é um planeta que existe sem razão, sobre qual a importância de cada um no mundo e o objetivo da criação...e agora?
Bom, eu não quero tentar dar respostas demais para esse tipo de assunto, até porque eu também coleciono interrogações e procuro não me influenciar por questões existenciais. Apenas acredito que o remédio para o mundo sempre foi e sempre será o simples ato de amor ao próximo.
(O próprio caminho é o convite e eu começo por onde a estrada vai.)
quinta-feira, 16 de março de 2006
Será possível?

A probabilidade de um acontecimento ocorrer é definida como o quociente do número de eventos desejados pelo total de eventos possíveis.
Hoje eu acordei meio filosófico. Não sei se isso faz mal, mas quando acordo assim vejo com mais facilidade o lado frágil de quase tudo. Vejo a própria morte mais palpável, pairando pela rotina do nosso cotidiano, atrás da porta, debaixo do tapete. A gente pensa pouco nisso, uma tendência normal, e acreditamos que qualquer acidente fatal seria fruto do acaso, ironia (ou crueldade?) do destino. Mas o que provoca o acaso? Que força age em favor dessa eventualidade sem por quê?
Já calcularam a chance de se ganhar na mega-sena, de você ser atingido por um raio (ao redor da terra caem cerca de 100 raios por segundo), de um objeto despencar do 30° andar de um prédio e cair sobre sua cabeça e de uma infinidade de coisas impossíveis acontecerem sem motivo. O mais impressionante é que de um ponto de vista defensivo, a possibilidade de você ser o próximo acidentado existe, e não pode ser descartada. Quem garante que num belo dia, no caminho da sua casa até padaria da esquina, alguém não resolva jogar uma melancia 16 kg do último andar do prédio pelo qual você está passando em frente e essa fruta atingir você em cheio?
Até recentemente, era comum creditar-se a decisão de qualquer evento aos deuses ou alguma outra causa sobrenatural. Simplesmente não havia espaço para uma abordagem que atribuísse ao acaso, e tão somente a ele, essas ocorrências. "A Humanidade precisou de centenas de anos para se acostumar com um mundo onde alguns eventos não tinham causa... ou eram determinados por causas tão remotas que somente podiam ser razoavelmente representados por modelos não-causais." (M. G. Kendall)
A Teoria das Probabilidades nasceu, mais precisamente falando, das tentativas de quantificação dos riscos e de avaliar as chances do azar, e pode acreditar, não é difícil vítima dele.
Então saiba: cada passo é um risco, mas não se preocupe, morrer é difícil.
Hoje eu acordei meio filosófico. Não sei se isso faz mal, mas quando acordo assim vejo com mais facilidade o lado frágil de quase tudo. Vejo a própria morte mais palpável, pairando pela rotina do nosso cotidiano, atrás da porta, debaixo do tapete. A gente pensa pouco nisso, uma tendência normal, e acreditamos que qualquer acidente fatal seria fruto do acaso, ironia (ou crueldade?) do destino. Mas o que provoca o acaso? Que força age em favor dessa eventualidade sem por quê?
Já calcularam a chance de se ganhar na mega-sena, de você ser atingido por um raio (ao redor da terra caem cerca de 100 raios por segundo), de um objeto despencar do 30° andar de um prédio e cair sobre sua cabeça e de uma infinidade de coisas impossíveis acontecerem sem motivo. O mais impressionante é que de um ponto de vista defensivo, a possibilidade de você ser o próximo acidentado existe, e não pode ser descartada. Quem garante que num belo dia, no caminho da sua casa até padaria da esquina, alguém não resolva jogar uma melancia 16 kg do último andar do prédio pelo qual você está passando em frente e essa fruta atingir você em cheio?
Até recentemente, era comum creditar-se a decisão de qualquer evento aos deuses ou alguma outra causa sobrenatural. Simplesmente não havia espaço para uma abordagem que atribuísse ao acaso, e tão somente a ele, essas ocorrências. "A Humanidade precisou de centenas de anos para se acostumar com um mundo onde alguns eventos não tinham causa... ou eram determinados por causas tão remotas que somente podiam ser razoavelmente representados por modelos não-causais." (M. G. Kendall)
A Teoria das Probabilidades nasceu, mais precisamente falando, das tentativas de quantificação dos riscos e de avaliar as chances do azar, e pode acreditar, não é difícil vítima dele.
Então saiba: cada passo é um risco, mas não se preocupe, morrer é difícil.
quarta-feira, 15 de março de 2006
Caminhada

João ia atrasado (o atraso ia sempre com ele). Era longe o serviço. Fazia palavras cruzadas ou dormia. O que desse. Dormiu. Sentou na frente. Não importava se podia ou não sentar ali. Primeira curva, primeiro ronco. A bala escorrendo pela boca aberta. Boca grande. Gente entrando mais que saindo. E o ônibus inflando. Um cego, um manco, uma grávida. Outra grávida e uma criança no colo. Um, dois, muitos velhos. Estendidos, equilibrando. Pessoas indo acordar o mundo. E João. Abriu os olhos, era chegada a vez. Levantou o corpão. Depressa. Esbarrou no velho. Tropeçou na grávida. Derrubou a bengala do cego. Desceu. Abriu outra bala, jogou fora o papel, na calçada. De o primeiro passo. Caminhou. Um verdadeiro cidadão.
É como abrir um livro velho. Caminhar por caminhar, ao léo de suas vontades, pode se tornar uma revisita, ou reflexão, à própria vida. Andando pelas ruas, é possível ir se integrando à sua paisagem, fazendo parte de sua respiração, entrando na cadência de sua própria pulsação, tendo uma visão tão refrescante das árvores ladeando a caminhada, querendo até mesmo ser árvore.
Caminhando, pode-se vislumbrar outro destino, e num momento maior, levar todas as dores para um tempo que nunca existiu...
terça-feira, 14 de março de 2006
Reinvento

"É ressaca de carnaval no Brasil. Você vai para a folia? Muito legal. Aproveite bem. Conheço um monte de gente bacana que fica o ano todo planejando a festa, com aquele friozinho na barriga de quem antecipa uma explosão de prazer, uma oportunidade única de transgressão, de desligamento temporário da autocensura e das convenções sociais.
Algumas dessas pessoas são de fato criaturas dionisíacas. Gente que está sempre pronta a sugar da vida tudo o que ela tiver para dar. Gente alegre, para cima, que adora sorrir e fazer sorrir. São as cigarras do mundo. Uma turma que não se poupa, não guarda muitas preocupações nem enfrenta grandes crises morais. Seu foco nesta vida, afinal, é muito claro: sentir prazer, gozar muito, provar os sabores, dar risada.
Algumas das pessoas que vão cair de boca neste Carnaval, no entanto, não são dionisíacas, não têm essa leveza de alma nem esse desapego todo em relação a limites. Ao contrário: são pessoas que tentarão exorcizar na festa os pesados fantasmas que carregam consigo. Buscarão, de preferência longe de casa, do trabalho, dos amigos, numa cidade que fale outro sotaque, em meio ao clima de irrealidade e de exceção desses quatro dias, romper na marra e a fórceps com os grilhões do seu superego, com as regras caretas que regem a sua conduta diária, com o opressor senso de decência que lhes define.
Conheço mulheres travadas, de todas as idades, com medo da vida, de amar, de entregar a sua alma a alguém, de abrir verdadeiramente o seu mundinho para a felicidade entrar, que neste Carnaval tentarão desesperadamente extrair de dentro de si algo que não são. Garotas solitárias sairão seminuas debaixo de um abadá - como se isso fosse trazer para perto delas alguém de verdade, alguém com "a" maiúsculo. Moças infelizes sairão arreganhadas dentro de um shorts mínimo - como se a superexposição das suas carnes pudesse compensar a reclusão dos seus espíritos; como se recusar o papel de beata (que lhes dá ojeriza) pelo papel de devassa (que lhes enche de medo) pudesse lhes operar um milagre na auto-estima.
Só que nada disso resolverá os grilos dessas mulheres Ao contrário: esse vôo cego as torna ainda mais frágeis. E os seus grilos, mais evidentes e insuportáveis. Quem está insatisfeita consigo mesma deve procurar ajuda e não se auto-imolar em praça pública.
Não estou aqui fazendo um juízo de valor sobre soltar a franga. Quer soltar a sua na multidão? Divirta-se! Você tem o direito. Como qualquer outra mulher poderosa, interessante e independente. Como qualquer homem. Cair matando e curtir adoidado pode ser, sim, o maior barato. Desde que esta seja uma saída autêntica para você. Desde que você se sinta bem, que isso lhe faça feliz de verdade e que tenha a ver com quem você é lá no fundo.
Eis o meu ponto: tudo é lindo e permitido quando se é espontâneo e quando ninguém sai machucado. Se você é uma bacante maravilhosa, uma caçadora dos tesouros escondidos dentro da indumentária masculina, beba o Carnaval de canudinho - junto com todos os prazeres que o folguedo puder lhe oferecer. Tudo certo. Não há vergonha nenhuma nisso.
Mas se você não é exatamente uma ninfomaníaca, se é um pouco mais romântica ou se está num outro ritmo de vida e num outro astral no momento, não precisa posar de serial killer sexual. Com muita freqüência a gente toma atitudes pensando no impacto que vão causar na visão que os outros têm da gente. Mas é importante pensar um pouquinho também no impacto que seus atos vão ter na visão que você tem de si mesma, na relação que você tem consigo. Não force a sua barra em nome de um padrão de comportamento - que pode ser o de todos mas que talvez não seja necessariamente o seu. E tudo certo. Não há vergonha nenhuma em se respeitar, em se aceitar, em ser quem você é.
"With Or Without You", uma música belíssima do U2, tem uma estrofe em que Bono lamenta repetidas vezes: "And you give yourself away". (Que eu interpreto como "E você se entrega por aí".) É um pouco essa sensação que eu tenho ao observar o comportamento sexual autodestrutivo de algumas mulheres. (É curioso como boa parte das mulheres escolhe a cama para se flagelar.) Ultrapassar os limites do bom senso - que são individuais, portanto só você poderá dizer quais são os seus - é sempre uma atitude de autodepreciação, de desvalorização e de desrespeito de você por si mesma.
A esbórnia, enfim, pode ser uma bênção para quem souber usar. E um copo de vinagre para quem não estiver muito segura do que está fazendo ali. Na dúvida, fica a sugestão: só enfie o pé na jaca se você souber direitinho como tirá-lo incólume de lá depois."
Então eu vos exorto: aonde queres chegar?
Primeiro passo

Salvo alguns poucos indivíduos, a maioria das pessoas nasce com cérebro. Mas a questão é: Será que todos sabem usa-lo?
A tentativa não é impor regra geral, nem difundir um conceito a ser seguido por todos os homens, nem tentar homogeneizar comportamentos ou provocar choque de culturas. Cada um sabe o que ser e o que seguir, entretanto podemos aprender a ser e seguir o que é melhor.
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