domingo, 27 de setembro de 2009
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solidão cabe num mundo inteiro
ou num buraco de formiga - big bang às avessas
Voando nas asas das tanajuras as idéias se vão
E esse blog fica pra solidão
sábado, 1 de agosto de 2009
sábado, 11 de julho de 2009
PRA SER ASSIM COMO EU
tem que ter swing e barriga
tem que encarar qualquer briga
tem que arrasar no salão feito o Sidney Magal
Pra ser assim como eu: cheio de graça e moral
tem que saber ganhar grana
tem que saber se fazer de bacana
tem que beber todo dia sem nunca passar mal
Pra ser assim como eu: inteligente e machão
Tem que abrir mão da humildade
Tem que parar de fazer caridade
Tem que gostar da cidade e amar a poluição.
E é preciso tomar cuidado
Pra não virar pobre coitado.
domingo, 5 de julho de 2009
sábado, 30 de maio de 2009
Raiz
As árvores que ofertam sombra, as árvores que geram frutos, as árvores que atraem raios, as árvores. Nunca entendi bem porque uma das formas de vida mais antigas do universo não foi capaz de evoluir ao longo do tempo a ponto de se adaptar à condição de vítima-do-homem. Por que é que as árvores não criaram pernas ou asas? Assim seria fácil fugir dos machados, das motosserras, do fogo, das máquinas. Pra que ficar ali, “mamando no sol pelas folhas”? Fotossintetizando?
Talvez o segredo de ser árvore seja justamente a condição de ficar imóvel. Não estamos aptos a ser árvore. Não conseguimos ficar parados por um segundo que seja para observarmos o que acontece ao nosso redor. Pelo contrário, andamos freneticamente por caminhos que acreditamos nos levar a algum lugar e criamos raízes nos solos mais infecundos. Logo onde não deveríamos parar.
Pobres coitados somos nós que tão rapidamente criamos raízes em campos que acreditamos ser férteis. Elos que nos impedem de fugir na hora em que mais precisamos.
Eu me confundo. Às vezes penso ser raiz o que talvez seja só semente. E a semente é o símbolo da incerteza: pode ou não vingar. Plantar sementes é dizer: seja o que Deus quiser. É uma forma legítima de se ter esperança. Não há qualquer garantia de que a semente venha a ser raiz.
Vivo no mundo do ter e estou cada vez mais me acostumando em não ter.
Só resta acreditar que o tempo vai regar a terra onde deixamos plantada aquela frágil esperança. Aí sim fará sentido toda essa história. É preciso ter um tronco forte e saber, sempre que for preciso, brotar do chão.
domingo, 26 de abril de 2009
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Gene Recessivo
Objetivo: mostrar como a sociedade vê as pessoas ruivas.
sexta-feira, 10 de abril de 2009
no meio do caminho
quarta-feira, 8 de abril de 2009
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Sim, tá tudo quieto...
Humm...
Mas a moça de vestido verde continua a dançar.
Silenciosamente.
sexta-feira, 27 de março de 2009
meu choro é de fachada. não sou tão forte assim
eu meço o prejuízo de se falar a verdade
e prefiro mentir pra ninguém caçoar de mim
Estela, a vida é sempre bela dentro da televisão
mentiras e verdades disputam minha atenção
não fico muito atento aos conflitos do oriente
mas rezo todo dia pra quem está no paredão.
Estela, você não é mais aquela a quem eu pedi a mão
você não é aquela que um dia eu conheci
fala de tantos planos, mas segue vivendo em vão
faz pesar mais o fardo das coisas que eu aprendi.
Estela, você não vê novela pra não se tornar igual
e me diz que saber de tudo é viver em paz
e eu te copio em tudo, mas o máximo que eu posso
é amarrar os cadarços do jeito que você faz.
Estela, daqui da passarela te vejo na arquibancada
mas esse ano meu carnaval está tão ruim
você disse que a festa perdeu todo seu sentido
e não há mais sorriso em meu rosto de arlequim.
Estela, eu sei que a favela virou coisa de cinema
e a nossa vida hoje é mera representação
o tempo passa em nossa frente igualzinho a um filme
resta saber se é drama, comédia ou ficção.
domingo, 1 de março de 2009
Eleições...
Então vamos lá né. Dar uma força pro cara conseguir mais esse prêmio (porque pra quem não sabe ele é especialista nisso hehe)
Aproveitando: Eu já devo ter avisado pra todo mundo (mais de 50 vezes) via orkut e e-mails que a NONADA está concorrendo a uma vaguinha no Conexão Vivo. Mesmo assim vou reforçar o pedido de ajuda. Pra votar no perfil da banda é só clicar aqui.
Gracias!
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Ela acreditava em parto sem dor, e se tivesse nascido homem, seria “o homem atrás do bigode: sério, simples e forte.” A criação que teve a fez perceber cedo demais que era altamente prejudicial acreditar nos outros. As pessoas seriam sempre pessoas e, portanto, reféns – assim como ela – das mesmas dúvidas, medos e inquietações.
Ser mulher era ter que suportar um mundo feito para homens. Era vestir o vestido de uma estranha; com medidas diferentes das suas, e ter que se acostumar. Se acostumar era algo que incomodava demais, pois para ela, a vida de todas as suas antepassadas, resumia-se a habituar-se a uma rotina que estava longe de ser o que alguma mulher queria para si. Era como se, no momento em que ela se visse numa situação que lhe exigisse adaptação, ela capturasse o ódio acumulado de todas as suas ancestrais e o concentrasse na garganta. E convertia no grito tudo o que fosse dor.
Ela conhecia os bons modos, mas não se preocupava em seguí-los. Não tinha muitos amigos, não pretendia ter. Não tinha muito dinheiro, não precisava ter. No mundo, pensava ela, o sujeito é que ele tem. Quem não tem nada não é ninguém.
E a vida passava com o tempo. O tempo passava com a vida. O tempo trazia rugas e certezas, a vida trazia outras noções de tempo. Na madureza era preciso se virar ao avesso. Mostrar que a juventude morava na alma e que o corpo era só abrigo. E que por dentro, nada envelhece. Tudo aspira apenas um mudança de lugar. Na vida e no tempo.
sábado, 24 de janeiro de 2009
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Sentimento do Mundo II
Pressinto mineralmente
Conquistas de tamanho
Realizações adiadas
Para o momento certo.
No seu caminhar errante
Como o que eu mesmo tive
Vais perceber a vida
E suas latitudes
Na forma mais absoluta
Que se pode sentir
E por seres derivação
de mim organicamente;
irás achar graça e rir
das mesmas coisas tolas
que por gerações inteiras
resistem acontecendo.
Quando me vejo olhando
Pro meu futuro previsível
Consigo te enxergar
Tão antes de existires
E ignoro verdades
Só pra ver sua imagem.
Finjo não ter remorso
Por ter vontade grande
De te trazer pro mundo
Fazer-te degustar
De sentimentos daqui.
A vida se nutre de outros sais
que não os que me compõe
de outras combinações;
de outros códigos;
De outras metamorfoses nascem peças essenciais.
E quando tudo acabar pra mim
Talvez antes mesmo de você chegar
E antes mesmo de eu conseguir escrever um desfecho
(ou qualquer verso de conclusão)
ainda restará um lugar:
aquele lugar que venho mantendo guardado.
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