
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
domingo, 12 de outubro de 2008
Não me defina em algo que você não conheça também. Há quem me identifique nas coisas. Há quem me desenhe nas cinzas a tempo do vento ou na areia a tempo da maré. Há quem afirme com toda certeza o que sou num contexto geral, e juram – de pés juntos – que têm a certeza, sem perceberem que a vida, por si só, já é uma busca incessante por certezas.
Acho que é porque minha inquietude perante a tentativa da vida de virar rotina azucrina. Porque eu sempre imploro para que me mostrem chegada e alvo, mas nunca, nunca me deixem ciente dos limites.
Não me defina.
domingo, 5 de outubro de 2008
Só é preciso reencontrar-se consigo mesmo para ver além das coisas.
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Minha literatura não me serve se não houver dor pra curar. Não há entretenimento que mereça meu esforço literário se não for o de remediar a vida com palavras. Há quem escreva para provocar o riso dos outros, para instigar o sentimento de patriotismo, para delatar más ações, para engrandecer o ego alheio, para proporcionar auto-ajuda e outras muitas coisas sem valor, mas eu não. Eu só escrevo para sarar a mim mesmo. Minha literatura é auto-medicinal e qualquer tema que eu venha abordar – por mais que cause riso, orgulho, dúvida, medo ou alegria a outrem – não tem outro objetivo que não seja o de me remediar.
Certamente remedia-se aquilo que não se preveniu, e eu, propositalmente, deixo tudo acontecer para que seja preciso um remédio e para que a minha escrita, consequentemente, tenha o seu porquê de existir. Às vezes faço meu curativo com as mesmas palavras com que me corto.
Sem medir, sem mediar, sem despertar, sem me mover.
Eu quero uma solução para a minha condição.
Percebo minha escrita com o repúdio da lucidez, com a capacidade de julgamento ponderado, com a consciência da justa avaliação. Sei que o meu quase-tudo não é nada. Sei o quanto não se satisfazer com palavras e o quanto não saber sobre o infinitivo “escrever” dói. Posso pressentir o incômodo das vezes em que irá voltar a sensação de impotência diante dos escritos passados. É um sintoma que se antecipa como uma flor que cresce já sabendo ser o adubo que a terra espera.
“Ler mais, escrever menos”, se fosse fácil como parece já teriam resolvido meu caso. Doença sem cura? Talvez um caso que esteja se tornando clínico...
Mas mesmo assim eu continuo. Terapêuticamente.
sábado, 20 de setembro de 2008
ELEIÇÃO

trat
domingo, 14 de setembro de 2008
AO ACASO...
[Porque se tudo veio a acontecer agora deve haver um motivo. Porque talvez não tivéssemos a mesma aptidão um para o outro como temos agora. Porque as coisas acontecem no instante exato em que estamos sem defesa.]
[É como me sinto: desarmado diante da força do acaso, impotente frente à rajada de boas eventualidades que tem me acontecido. Desfruto dos prazeres de uma boa companhia e do diálogo sensato que ela me oferece.]
[Sei que aproveito melhor a existência porque o estado de transe em que imagino estar me permite medir o passar tempo não através de minutos, mas através de carícias, sussurros e sorrisos.]
[... e só mesmo tendo o estado de consciência ligeiramente alterado é que gastaria meu precioso tempo escrevendo essas coisas.]
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Dessa vez deu certo...
Nonada: 3º lugar no Festival da Canção de Lagoa Santa – 2008 com a canção "Eu não sou daqui" e Prêmio de melhor instrumentista para nosso baterista, Tiago Alencar.


sábado, 6 de setembro de 2008
Rua Boaventura
Da janela do apartamento
Ele via surgir mais um dia cinzento
As cores e as alegrias iam na roupa da menina
Parada no ponto de ônibus
E os ônibus eram todos azuis
Da cor do dia que não se abriu
Da cor do céu que não sorriu
As cores e as tristezas iam presas na retina
Ele vai fazer um café?
Quem sabe? talvez...
Brincar com Letícia?
Ela ainda dormia, seus olhos de gata
Ainda sonhavam
Suspirava...
Ele sorria e pegava na tela de proteção
Sujava suas mãos com a fuligem
Puxava para os pulmões os pedacinhos da cidade
Ele não estava ali
Não estava ali
Estava ali
Ali
* mais uma letra esperando uma canção... Ré,ré
terça-feira, 2 de setembro de 2008
domingo, 31 de agosto de 2008
Modernidades
Para Ouvir No Rádio (Luciana)
Jorge Ben Jor
Eu vou fazer uma canção singela
Prá você se lembar de mim quando ouvir rádio
Em ondas médias em ondas curtas
E freqüência modulada prá você se lembrar de mim
Quando ouvir no rádio
Mas se você não puder ouvir
Por falta de tempo ou por falta de rádio
Alguém há de passar cantando assobiando
Perto de você
Mas se depois disso tudoVocê não conseguiu ouvir
Porque não quis ou por algum problema
Subirei descerei o morro novamente
Como um guerreiro vencedor
Cantando o meu hino de amor
Luciana, Luciana, LucianaLuciana, Luciana
Ps.: Raul, vc tá devendo um post para falar do seu primeiro prêmio como compositor, camarada!!
Nada de modéstia, heim!!?
domingo, 3 de agosto de 2008
O caminho de Pisar Com os Olhos
A cara lavada
O amor no bolso
O pé na estrada
Sigo em frente quase sem querer
As muitas estrelas do céu
Dançam desorientadas sobre mim
De quando em quando um bar
E bebo goles de alívio
Tristezas e alegrias vão me acompanhar
Mas vou bem melhor
Vou bem melhor sozinho
Eu sei
domingo, 27 de julho de 2008
sexta-feira, 25 de julho de 2008
Manual Cerebral News: Fofocas em tempo real.
* Rodrigo Barba está tocando com uma pá de gente (quem tem banda sabe como é difícil arranjar bateirista), dentre elas o Latuya (projeto paralelo que o bateirista já mantinha antes dos Los Hermanos pararem.)
E enquanto nada acontece a gente continua esperando... esperando... esperando só... esperando o trem...
domingo, 20 de julho de 2008
Dou-lhe uma, dou-lhe duas...

PROTESTO
É realmente incrível o poder de apropriação que a indústria exerce sobre o artista, e pra ser mais exato, sobre a arte de um modo geral. A modinha de lançar álbuns póstumos de artistas consagrados deve incomodá-los onde quer que eles estejam. Os exemplos são incontáveis: Cazuza, Cássia Eller, Raul Seixas, Gonzaguinha, Pixinguinha, Tom Jobim, Vinícius e é claro, o campeão - Renato Russo. Imaginem vocês que a última desse pessoal foi lançar um álbum do artista com as demos de uma gravação dessas que a gente faz em casa, pra não esquecer a música, no formato voz e violão, feito pelo próprio Renato em meados de 1982. Eu aposto com qualquer um que se o músico estivesse vivo isso não aconteceria em hipótese alguma. Primeiro pelo nível técnico da gravação, absurdamente ruim. E depois pelo fato de o álbum, além de não trazer qualquer novidade, ser batizado com o nome de “O Trovador Solitário”!?.
O coitado deve se retorcer de ódio no caixão só de pensar que pegaram aquelas suas fitinhas K7, guardadas ali na última gaveta do seu guarda-roupa, e as transformaram num CD que vai encher o bolso de uma galera! Sim, porque os fãs de carteirinha (que todo mundo sabe: não são poucos) vão comprar o disco e vão achar lindo “Faroeste Caboclo” começando num tom e terminando em outro. Não por causa de uma mudança de tom natural na música, mas por causa da distorção incorrigível da fita demo.
Que diabos levam uma gravadora a lançar um disco com as mesmas músicas que já saíram em outras quatrocentas e trinta e sete mil coletâneas lançadas anteriormente? E pra piorar numa versão violão e voz de quinta categoria? Se a intenção era difamar Renato Russo e acabar com a boa lembrança que ainda temos dele tudo bem. Demorei pra entender porque não estava bem explicado.
É revoltante ver gente fazendo dinheiro com a arte alheia depois que o verdadeiro artista já foi dessa pra melhor. É gente vendendo as cuecas usadas (e não lavadas) por artistas antes de morrer. Gente pedindo uma fortuna por um pequeno pedaço de papel higiênico que aquele ídolo pop usou pra limpar o rabo antes do seu antepenúltimo show. Gente se enriquecendo com leilões de bugigangas nas quais artistas encostaram por um milésimo de um segundo uma vez na vida. É justamente aí, nesses atos de suposta homenagem, que reside toda a falta de respeito com quem fez história.
Hoje em dia, sobretudo a nível de Brasil, tornou-se muito difícil “a vida” de pop-star-defunto.
Memorial
Deveríamos falar de nosso primeiro olhar geográfico, as primeiras impressões...
"Não me lembro bem como foi que de repente essa idéia se plantou na minha cabeça de menino. Menino... Acostumado com os pequenos verdes duros do cerrado no de redor da casa - os pés no chão, cabecinha nas nuvens. Brincadeiras de ir e vir. Buscar cajuzim, murici, sangue-de-cristo, pequi... Todos os sabores do mato eu sabia. Os bichos - sempre gostei mais de ver do que de matar.Tinha dó, inda hoje tenho. Adorava ver pica-pau voando seu vôo picado. Três batidas de asa e se fingia que caia no ar, pra depois levantar vôo de novo -e lá se ia o bicho voando no seu desajeito. Deselegância bonita. Tinha também as “trucal”, estas não se paravam muito por perto, não. Ariscas, passavam em bando no seu vôo cheio de silêncio e pressa. Os passarinhos tesoura apareciam mais pra Setembro, comecinho das chuvas. Caçavam com maestria as mutucas depois da invernada... Eu ganhava longas horas dos meus dias apreciando o “de fazer” dos bichos todos. Ah, eu gostava muito disso. E era assim, os dias se passando. A nossa casa só no reboco, ainda em construção -eu na frente do que seria a varanda olhando aquele mundo quintal. Resto de tardinha. E mãe me chamava pra entrar. Entrar, eu não entrava assim de primeira, ficava na porta e olhava o morro. É, e tinha o morro. O morro era o mundo? O morro me intrigava, não via o depois dele. O que viria? Tinha outro o quê? Eu lá sabia? E dei de pensar no morro... Todo dia imaginava o que havia de se esconder ali, por detrás dele. Mas nunca que via nada. Nuvem branca nublando minha mente. Pensava, Pensava... E então um dia, dei por solucionado o mistério. Descobri. Atrás do morro tinha uma onça. É, uma onça. Os grandes olhos de gato, bicho absurdo de grande, deitada preguiçosa numa moita de capim-meloso. Minha idéia de menino. Eu via. E me bateu uma vontade de subir o morro, topar com a felina. Eu podia... Passei o dia fazendo minha zagainha de bambu, que cortei no bambuzal do Bequinho. Ponta de canivete na frente, reluzindo. Arma de se matar assim de espeto, o bicho pulando por de cima de mim, e só eu furando o coração por debaixo do braço monstro dela. Ah, eu podia sim! À noite nem sei se sonhei, dormi num vendaval - a pressa de uma nova manhã. Acordei num pulo, e já me vi correndo no meio do mato. O cheiro da manhãzinha ainda ia alto, molhado. Fui subindo o morro, suor pingando na cara. Um casal de papagaios passou voando. Vi nem vi -só o morro e a onça cabiam no meu peito. E o morro foi se acabando. Fui chegando... E a zagainha tremia nas mãos. Foi então que vi-descobri, eu no alto do morro, lá do alto... Não havia onça nenhuma. Nenhum bicho de se pegar na luta. Só um mundo grande demais, de não se caber nos olhos, nem de se abarcar na alma miúda de gente criança. Imensidão muda. O mundo que se abria num quase infinito se fez meu... Os quintais e varandas haviam ficado pequeninos demais – como um menino.
E dei de crescer...
sábado, 12 de julho de 2008
Rosa
Nonada
Não é nada não
É só meu coração batendo forte logo ali
Bem fora do peito
E eu não sei direito tudo que senti
Vendo o céu se abrir
Nuvem, rosa, seca - o sertão é logo ali
Em todo lugar que há de se existir
Não é nada não
É só meu coração batendo forte dentro aqui
Bem dentro do peito
E eu não sei direito tudo que senti
Vendo o céu se abrir
Nuvem, rosa, vento – o lugar a se partir
Coração sangrando até se consumir
Não é nada não
É só meu coração batendo forte ao sentir
O mundo no peito
E eu não sei direito tudo que senti
Vendo o céu se abrir
Isto é um novo jeito, uma nova forma de sorrir?
Nuvem, letra, rosa – o sol que nasce por aqui
Luz pra confundir?
Não é nada não
É só meu coração batendo forte até se abrir
Até rasgar o peito
Agora sei direito tudo que senti
Vendo o céu se abrir
Nuvem, rosa, sangue – o infinito cabe aqui
O sertão no peito
Coração batendo alto pra ninguém me ouvir
terça-feira, 8 de julho de 2008
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Junho
Alceu Valença
Eu sei que é junho, o doido e gris seteiro
Com seu capuz escuro e bolorento
As setas que passaram com o vento
Zunindo pela noite, no terreiro
Eu sei que é junho!
Eu sei que é junho, esse relógio lento
Esse punhal de lesma, esse ponteiro,
Esse morcego em volta do candeeiro
E o chumbo de um velho pensamento
Eu sei que é junho, o barro dessas horas
O berro desses céus, ai, de anti-auroras
E essas cisternas, sombra, cinza, sul
E esses aquários fundos, cristalinos
Onde vão se afogar mudos meninos
Entre peixinhos de geléia azul
Eu sei que é junho!
Alceu é um gênio e esta música é linda...
Já passei um inverno no nordeste, aquela chuvinha fina batendo na cara da gente... Por que é que gosto de tudo ao contrário (todo mundo idolatra o sol do nordeste)?
Ré,ré!
Poema contra a solidão
o silêncio que aboliu a canção
seja agora corrompido
tenha seu hímen obstruído pelo barulho poluído do meu instrumento.
o silêncio que encarnou o vazio
o silêncio que se fez interior
seja nesse instante dilacerado
por um ruído humano, sólido e rosado.
o silêncio e todas as peças imateriais que o compõem
derretam no fogo de qualquer microfonia
e formem um homem novo
feito mais de barulho que de silêncio.
segunda-feira, 23 de junho de 2008
MÚSICA PRA SALVAR O DIA
qualquer traço linha ponto de fuga
um buraco de agulha ou de telha
onde chova
qualquer perna braço pedra passo
parte de um pedaço que se mova
qualquer
qualquer fresta furo vão de muro
fenda boca onde não se caiba
qualquer vento nuvem flor que se imagine além de onde o céu acaba
qualquer carne alcatre quilo aquilo sim e por que não?
qualquer migalha lasca naco grão molécula de pão
qualquer dobra nesga rasgo risco
onde a prega a ruga o vinco da pele
apareça
qualquer lapso abalo curto-circuito
qualquer susto que não se mereça
qualquer curva de qualquer destino que desfaça o curso de qualquer certeza
qualquer coisa
qualquer coisa que não fique ilesa
qualquer coisa
qualquer coisa que não fixe







