
quinta-feira, 31 de maio de 2007
terça-feira, 29 de maio de 2007
Pais e Filhos
segunda-feira, 21 de maio de 2007
CORUJA

segunda-feira, 14 de maio de 2007
Letra e música
NINGUÉM ALI
Lá fora a rua vazia em si
E os corações sobre as calçadas
Penso nas noites que vivi
No que passou, o que sobrou do nada.
Não é possível terminar assim
O nosso amor, a nossa estrada
Ninguém ali foi ver o fim
Ninguém chorou de madrugada
E o seu diário continua aqui:
Nenhuma página rasgada
E as suas dores não senti (eu sei)
Eu acordei na hora errada
Quando parei e decidi
Eu quis correr pelas escadas
Trazer você de novo aqui
Dois corações sobre as calçadas
E o seu diário continua aqui:
Nenhuma página rasgada
E as suas dores não senti (eu sei)
Eu acordei na hora errada
Para baixar a música clique aqui
quarta-feira, 9 de maio de 2007
Novidade
Rodrigo Amarante está com uma música nova transitando pela web. Trata-se da bela "Evaporar", canção que ele gravou no último disco do guitarrista carioca Lanny Gordin.
Para baixar é só clicar aqui
Podem me agradecer agora.
segunda-feira, 7 de maio de 2007

Recesso por tempo indeterminado. Essa pequena frase deixou muita gente preocupada. A banda anunciou no último dia 23 que vai paralisar as atividades por um tempo e não há previsão para lançamento de novo disco. A esperança é que haja, durante o "período ocioso", trabalhos paralelos pipocando pela web, já que não dá pra imaginar nenhum dos 4 barbudos fazendo alguma outra coisa que não seja música.
Bruno Medina, tecladista da banda estreiou uma coluna no site da globo (Instante Posterior), onde pretende escrever com regularidade, diferentemente de seu primeiro blog, o Instante Anterior.
Fica, então, a esperança de que tudo volte a normal rapindinho, e a gente volte a se encantar com boas canções. É... pode ser que a maré não vire, mas pode ser também que tudo seja como era antes. Pode ser que a vontade de fazer música com o coração renasça dentro de cada um. E que nossas vidas voltem a ser regadas por músicas carregadas daquele sentimento bom que a gente bem conhece.
(Enquanto isso, a vontade que está faltando em uns e outros está sobrando na gente.)
Pieguices à parte, somos todos hermanos.
quinta-feira, 3 de maio de 2007
O FIM ERA OUTRO
Ré,ré...
quinta-feira, 26 de abril de 2007
PEDRA BRANCA
Pedra Branca
Pedra de amolar
Pedra de jogar
Pedra de tocar
O meu coração
Para outro lugar, muito além de lá
Pedra Branca
Triste é o meu olhar
Ao te ver passar
Seus cabelos pretos, muito além de lá
Pedra branca
Céu azul passou por mim
E nem sei se sorri
Só sei de você, nos meus olhos pretos
Muito além de lá
Pedra Branca
segunda-feira, 23 de abril de 2007
Nossa classe
Paul McCartney:
Hoje, com 65 anos de idade e fôlego de menino, o cara ainda continua fazendo jus à fama que possui: lança em média um disco por ano, está sempre compondo novas canções e faz shows incansavelmente - mesmo não precisando, afinal ele é co-fundador da banda de rock mais popular que já existiu na face da terra e poderia viver tranquilamente administrando a fortuna que conseguiu fazer, além de encher o bolso com tantos tributos, coletâneas e homenagens feitas aos Beatles.
Jimi Hendrix:
A foto acima é auto-explicativa. É um pouco difícil discorrer com originalidade sobre quem foi e o que Hendrix representa na música contemporânea. O simples fato é que o sujeito REINVENTOU a forma de se tocar guitarra e depois dele o rock (pra não dizer “o mundo”) nunca mais foi mesmo. Resumindo: é Deus no céu e Jimi Hendrix na terra.
(Se bem que agora não dá pra saber ao certo onde ele está... talvez no céu também, solando entre as estrelas...)
Toni Iommi:
Já ouviram falar em Heavy Metal? Pois é, o pai dele se chama Anthony Frank Iommi. Nasceu em 1942, na Inglaterra. Começou a tocar guitarra aos 12 anos e alguns anos depois viria a se unir com mais três amigos, dentre eles um tal de Ozzy Ousborne, e formar uma banda de rock cujo nome viria a ser Black Sabbath. Nada de anormal até aí, não fosse o formato em que as músicas eram concebidas. Graças a Toni, as canções eram mais pesadas do que qualquer coisa que alguma banda havia feito antes. O canhoto criou os riffs mais obscuros e fantasmagóricos que alguém já havia ousado fazer, e só depois dele é que o Metal se tornou uma vertente oficial do rock e assim vieram safras de bandas que trouxeram nomes como Iron Maiden, Metallica, AC/DC, etc.
Kurt Cobain:
Louco, viciado, depressivo, suicida, mas muito criativo e, é claro, canhoto. Essas seriam as definições que caberiam perfeitamente para tentar entender quem foi Kurt Cobain, líder do Nirvana. Apesar de todo o sofrimento pelo qual Kurt passou aqui e a forma como morreu, sua imagem ficou eternizada. É certo que todos os músicos dessa lista deixaram ou estão deixando seus nomes escritos na história da humanidade, mas o de Cobain, devido à forma como ele conseguiu ressuscitar o espírito quase morto do rock nos meados da década de 90, vai ficar salvo em negrito, sublinhado e em caixa alta.
Omar Rodriguez Lopes:
Esse mexicano magrelinho aí já está sendo considerando por muitos críticos o Jimi Hendrix do novo milênio. Por quê? É só pegar o “De-Loused In The Comatorium” (último disco da banda dele: o The Mars Volta) pra ouvir que você vai entender. O disco já nasce com toda uma aura mítica a seu redor, sintetizando o modo como a banda soa a maior parte do tempo: hard rock com um passado punk, provido de enxertos de polirritmia, jazz fusion clássico e pirações dub. É uma bagunça desconexa, que em algum ponto aterriza sobre a própria cara. Todos os estilos musicais apreciados pela banda são costurados num modelo único e bizarro, disfuncional e alienante como as peças de arte mais inquietantes de algum modo se prestam a ser. Como se fosse indicativo de sua amplitude e intenção, o disco é denso, inóspito nas primeiras audições. Um verdadeiro laboratório onde a guitarra sofre as mais impensáveis metamorfoses sonoras. Originalidade em estado puro.
Edgar Scandurra:
Não dava pra esquecer desse super guitarrista que merece lugar de destaque por ser brazuca (e canhoto, é lógico). Scandurra, como todos sabem, é guitarrista do Ira!, banda paulista dona de clássicos do rock brasileiro que influenciaram a mim e à juventude de muitos “amigos mais velhos” que tenho. Além do Ira, Scandurra ainda tem um projeto paralelo chamado “Benzina” (nome sugestivo né?) que mistura música eletrônica e muita guitarra. Dentre os canhotos citados aqui, ele é um dos mais habilidosos e, contraditoriamente, o único que não inverte as cordas da guitarra pra tocar, o que torna a execução da música algo ainda mais cabuloso. Enfim, é talento que não acaba mais.
E viva a minoria!
segunda-feira, 16 de abril de 2007
Pétalas
Pétalas (Nando Reis)
Sou um homem que tem sobre a pele
pétalas
que tem sobre as unhas espinhos
cobrem o coração tantos nervos
sobram aos olhos delírios
Sou um homem que tem como portas janelas
de quem como a fome
carnívora
dorme na escuridão dos milagres
e cresce na geração dos seus filhos
e a mãe trago em mim também
sem sua mão, vou buscar caminho
no amor que desfaz meu ódio
nos meus olhos, retrato vivo
quarta-feira, 11 de abril de 2007
Animal
terça-feira, 3 de abril de 2007
...
Há um medo de seguir a sina que é sentenciada quando se percebe que um dia de chuva não te tira da rotina, mas de faz cair em outra rotina: a que você criou para os dias de chuva. Há uma busca profunda por respostas nesses momentos breves de sensibilidade apurada em que você, numa atitude não menos rotineira, pára e começa a pensar no que está fazendo aqui, interagindo, aceitando, contribuindo, produzindo, solúvel, ainda.
Você se olha: és razoavelmente jovem, não tens vício algum (pelos menos vícios prejudiciais à saúde), tens saúde estável, moradia estável, posição estável no grupo social em que está inserido, (até situação financeira estável você tem!) e tanta estabilidade te incomoda.
O momento presente é confortante e estável. Não obstante, a rotina do dia de chuva (menos presente, mas não menos rotina) te permite perceber que um ar mais umedecido e tristonho faz seu lado melancólico florir. O dia pede um livro e muitas horas para leitura, pede um violão afinado, pois o primeiro acorde já vai trazer uma canção bonita e propícia, pede comida mais mineira do que a de todos os dias, pede leite e biscoitos. (mesmo sendo a cadeia das horas pequena demais para a realização de tudo que é pedido nesse dia).
A aura de nostalgia também é uma aura de proteção; pois o sol não dá as caras ao longo do dia e sua pele, se falasse, agradeceria por isso. O cair da noite não anula os desejos, ao contrário, traz o sono mais proveitoso que se pode ter. E as conclusões típicas da noite, se não chegam, não pioram em nada sua vida: podes sonhar com as coisas inconcebíveis que talvez você nem tenha desejado tanto, mas que com certeza você nunca terá.
Há ainda um quê de introspecção nas coisas mais fugazes, e por perceber isso apenas nesses momentos, você se sente um idiota inculto e medíocre que vive caindo em armadilhas criadas pelos seus semelhantes. A trapaça também vive presente em quase tudo, mas isso você já sabia, e ainda assim fingiu não ver.
No fundo você sempre soube que a vida não tem cura, e que o cantar do qual você fez alicerce pra edificar o mundo feito à maneira mais simples, com as coisas que você acreditava, não pôde ser ouvido. E sabe que se você for mais sincero do que otimista, vai descobrir que não pode ser ouvido por quase ninguém.
O que é que figura esse estado?
Se for um sentimento desconhecido é provável que alguma coisa diferente aconteça e algo seja modificado nos arredores. Se não for, a porta do comodismo vai ficar mais larga e é possível que o medo inerente aos dias de chuva passe assim a ser rotina (e deixe de ser medo).
segunda-feira, 26 de março de 2007
O QUE VOU FAZER
É quebrar meu violão
Jogar pro alto os mil pedaços do meu coração
Tudo que quero fazer depois desta canção
É não deixar nenhuma rima rimar no meu peito
E esquecer você, pode ser?
Quando tudo silenciar dentro de mim
O que vou fazer é dizer sim para o novo
O que vier depois de você
O fim
sexta-feira, 23 de março de 2007
SUPER BACANA!
Agradecimentos especiais à nossa companheira Liliane Pelegrini, por estar colaborando tanto com a disseminação das boas palavras mantendo esse espaço cultural tão útil e valioso (valeu Lili!).
Para conferir o texto com o layout do jornal e perceber como o Alves está realmente ficando famoso, basta clicar aqui
E sinceramente, isso não é o máximo?
sexta-feira, 16 de março de 2007
quarta-feira, 14 de março de 2007
1 ano!

Tentaremos continuar mantendo o trabalho dessa tripulação que busca colaborar com a tentativa de difundir boas idéias por aí.
Em breve (e talvez mais breve do que vocês possam imaginar...) traremos surpresas boas para compartilhar com todo mundo.
Parabéns pra nós!
Até.
segunda-feira, 12 de março de 2007
Correlações

Felizmente, essa parte triste da história foi compensada com a mais bonita das recompensas que me foram trazidas por essa humilde empreitada. Uma frase de Paulo que se tornou quase uma ideologia de vida:
"Eu sou um intelectual que não tem medo de ser amoroso, eu amo as gentes e amo o mundo. E é porque amo as pessoas e amo o mundo, que eu brigo para que a justiça social se implante antes da caridade."
Só a partir daí é fui entender porque Chico César, na excelente canção “Beradêro”, citava o nome do professor.
BERADÊRO
Os olhos tristes da fita
Rodando no gravador
Uma moça cosendo roupa
Com a linha do Equador
E a voz da Santa dizendo
O que é que eu tô fazendo
Cá em cima desse andor
A tinta pinta o asfalto
Enfeita a alma motorista
É a cor na cor da cidade
Batom no lábio nortista
O olhar vê tons tão sudestes
E o beijo que vós me nordestes
Arranha céu da boca paulista
Cadeiras elétricas da baiana
Sentença que o turista cheire
E os sem amor os sem teto
Os sem paixão sem alqueire
No peito dos sem peito uma seta
E a cigana analfabeta
Lendo a mão de Paulo Freire
A contenteza do triste
Tristezura do contente
Vozes de faca cortando
Como o riso da serpente
São sons de sins, não contudo
Pé quebrado verso mudo
Grito no hospital da gente
Iê iê iê, iê iê iê
Iê iê Iê, iê iê iê
Catulé do Rocha
Praça de guerra
Catulé do Rocha
Onde o homem bode berra
Bari bari bari
Tem uma bala no meu corpo
Bari bari bari
E não é bala de côco
São sons, são sons de sins
São sons, são sons de sins
São sons, são sons de sins
Não contudo
Pé quebrado, verso mudo
Grito no hospital da gente
Palavras para transbordar o coração...
quarta-feira, 7 de março de 2007
1973
1973
Não sou homem de chorar, nem de sorrir sem a justa causa. Gosto é dos descaminhos. Os avessos. Por isso dei de encostar aqui na Vereda Morta. O tempo passando translouco, ora passado, ora futuro. Diversas saudades, num só lugar. Pedacinhos da gente espalhados por toda parte, o arraial dando conta de tudo. Ou foi por conta do sorriso dela? Anézia. Quando ela se sorria, tudo se aquietava, eu parava num desexistir. Transe. Urubu solto no céu, os altos pensamentos. Agora clareio minha idéia, campeio meu juízo. Anézia... O sorriso dela. O dia que cheguei aqui na Vereda Morta ficou cravado na memória. Os cachorros dando seu alerta, as muitas caras curiosas, o silêncio escrito nos olhos do povo do lugar. Relembro. Um bichinho quis pousar em mim, desfez vôo e foi dar no ipê de frente a vendinha. Tudo mantendo a prudente e mineira distância. Dei de seguir aquele insetozinho, fiz caminho da venda. Vendinha comum, no trivial dos Gerais. Cerquinha de bambu, panelas, canecas, cabaças e uma placa da Coca-cola no alto da porta destoando do de-redor. Essas modernidades... Lá dentro um balcão já comido de cupim, e um velho por detrás -Seu Geraldo. Vi-nem-vi, já era tarde. Só Anézia cabia nos meus olhos. Sentada no cantinho da venda. Ela e o livro, os dois como um só. Mãozinha preta dela segurando o livro. Perdida naquele mundo, lia e se sorria. Foi aí que fiquei aqui, meu coração criou raiz. Agora lembro. 1973.
sexta-feira, 2 de março de 2007
das coisas que acontecem
Ela carregava no corpo um rosa dos ventos
E perdi pra sempre a direção
terça-feira, 27 de fevereiro de 2007
Certas canções...
Tema em Sol Maior
Foi aquela saudade
Que morava no preto dos olhos dela
Que se mudou aqui pra dentro do meu peito
E fez correr meu coração pelo mundo
(Meu coração errante errou mais uma vez a direção?)
Foi a lágrima solitária que ela deixou cair
Que me fez mergulhar na correnteza dos seus sentimentos
E nunca mais voltar à tona
Sumir
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007
Sonho bom
“... Coisas de amor são finezas que se oferecem a qualquer um que saiba cultivá-las, distribuí-las, começando por querer que elas floresçam. E não se limitam ao jardinzinho particular de afetos que cobre a área de nossa vida particular: abrange terreno infinito, nas relações humanas, no país como entidade social carente de amor, no universo-mundo onde a voz do Papa soa como uma trompa longínqua, chamando o velho fraco, a mocinha feia, o homem sério, o faroleiro... todos que viram a banda passar, e por uns minutos se sentiram melhores. E se o que era doce acabou, depois que a banda passou, que venha outra banda, Chico, e que nunca uma banda como essa deixe de musicalizar a alma da gente.”
Carlos Drummond de Andrade Correio da Manhã, 14/10/66
O texto acima se encontra na íntegra no site de Chico Buarque. Pra quem ainda não viu, vale a pena dar uma passada lá e conferir. A primeira canção, fazendo surtir os primeiros efeitos. Talvez nem o próprio poeta, na sua “previsão do futuro” feita meio inconscientemente soubesse o que ainda estaria por vir trazido por Chico e sua boa música.
Selecionei a parte do texto que, na minha humilde opinião, é mágica, afinal, Drummond falando sobre Chico, parece até sonho.
terça-feira, 13 de fevereiro de 2007
Notícias de Terras não civilizadas II
Como diz a letra da música “ê batumaré”, de Hebert Vianna, é sempre bom voltar. Bem, como bom representante do proletariado que sou, passei as minhas férias trabalhando, desenhando principalmente. Mas nada que me impedisse de capinar o quintal lá de casa, função que exerci feliz e cantando canções da moda, nunca esquecendo de agradecer a cada novo calo estourado nas mãos. Confesso que estava ansioso para voltar a escrever aqui no blog, saudadezinha que mato agora.
No que diz respeito a minha pessoa , lá em casa me disseram que eu não parava de me balançar naquela cadeira que me arrumaram. Também o que queriam? Aquelas cadeiras são feitas pra isso, não? E a mania que tenho de desenhar com a língua pra fora, tipo o cebolinha bolando seus planos infalíveis? Foi um custo me conter diante das câmeras. Maldito Maurício de Sousa, sua influência em mim vai além do traço.
Bom pessoal acho que já falei por demais, encerro esse post dizendo que o desenho (feito nas férias) acima foi premiado em 1º Lugar na categoria quadrinhos na 2º Mostra Nacional de Humor de Varginha. Agora sou um cartunista intergalático!!
terça-feira, 30 de janeiro de 2007
Dra. Isabela
(Ela entraria triunfante, deixando um rastro de beleza comovente. Era a dona do mundo, pelo menos pra mim, ou pelo menos do meu mundo).
Eu quisera estar ali novamente por tantos motivos depois da primeira vez, que não lembrava ao certo se as coisas que agora me moviam eram as mesmas de outrora.
A ansiedade e a alegria em saber que a veria de novo - mesmo que por um pequeno intervalo de tempo num dia de trabalho - já se confundiam, no entanto eu sabia que aquilo era só uma forma tímida de manifestação da minha esperança. Aquela esperança que viaja pelos campos do improvável e resiste; que se considera suscetível a participar da realidade, que dorme quietinha lá no fundo e eclode só em momentos como esse.
(Ela me conduziria outra vez).
Não fosse seu jeito suntuoso de se vestir, o jeito calmo de andar, a mansidão do olhar e a paz que sua voz carregava, não fosse isso minha atenção estaria voltada para outro lado. O lado pelo qual um paciente normalmente procura um médico: para se tratar, oras. De fato, foi esse o motivo do primeiro contato.
Nunca pensei que descobrir os milagres da dermatologia pudesse ser algo tão prazeroso e inspirador. A surpresa vinha para compensar o preço da consulta – pensei na primeira vez – e depois se somar ao prejuízo financeiro.
Dra. Isabela se mudou para o Recife há duas semanas. Fui seu primeiro paciente em 2007 e a consulta foi nosso último encontro. Ela me deu o telefone de duas amigas médicas com a mesma especialização, e já com voz de despedida disse que eu “estaria em boas mãos” depois que ela partisse. A vontade de dizer (gritando), como num filme, numa cena em câmera lenta: “Please, don’t go away!” veio na boca, tentou sair. Felizmente o conjunto de sensos e experiências que formam o caráter humano e denominam o conceito de ridículo me impediram de agir de tal forma.
Agora, que ela está longe pra caramba daqui, a solidão passou a vir de guarda-pó branco, passear pelas tardes dos meus domingos.
segunda-feira, 22 de janeiro de 2007
segunda-feira, 15 de janeiro de 2007
Ao vivo!
sexta-feira, 12 de janeiro de 2007
Na tela da TV, no meio desse povo...
Falando sério: Ele vai estar no programa Brasil das Gerais, da Rede Minas, que será gravado nesta 2ª feira dia 15/01/07. As discussões serão a respeito de charges e o programa contará com a presença de chargistas de renome. O dia da exibição ainda não sei, mas quando souber aviso aqui.
Até...
quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Ontem, Saddam Hussein foi enforcado por volta das 6 horas em Bagdá. Com isso, mais uma medida tomada pela lei em prol do estabelecimento da justiça foi publicada para o mundo.
Ontem, mais uma vez a palavra morte ecoou no ocidente para nos lembrar que a guerra no oriente até hoje não terminou.
Ontem, a catarse que efetivamente causou alívio ao coração de uns muitos esteve longe de proporcionar a paz a quem demasiadamente necessita.
Ontem, a Organização das Nações Unidas - uma instituição internacional formada por 192 Estados soberanos, fundada após a 2ª Guerra Mundial para manter a paz e a segurança no mundo, fomentar relações cordiais entre as nações, promover progresso social, melhores padrões de vida e direitos humanos – mais uma vez não contribuiu com absolutamente nada para que o terrorismo no mundo matasse menos inocentes.
Hoje amanheceu de novo no Brasil e tudo era verde. Não havia cheiro de fumaça, nem barulho de bombas, nem mísseis cruzando o céu de madrugada, nem crianças mortas ou mulheres chorando. Já haviam desligado a TV. E ninguém mais se lembrava de ontem.
Se o tempo é linear, como pode o ontem nada interferir no hoje?
quinta-feira, 28 de dezembro de 2006
Fim



Vai ser no marco zero, dia 31/12 o último show da turnê do álbum 4. Os recifenses serão os felizardos. Vão ver os Hermanos suando a última gota de suor desse ano que, diga-se de passagem, foi ótimo para nós. Digo “nós”, pelo fato de eu me considerar parte da família hermana, e entender que a família pode ser definida como nada mais do que essa massa que acredita na música feita com alma. 2006 foi o tempo oportuno, o tempo exato para que as canções do “4” fizessem efeito e se dissolvessem em cada um.
Foram poucos os álbuns concebidos assim, transbordando tanto sentimento, carregado de tanta ideologia. As sutilezas quase imperceptíveis dos instrumentais de cada música casando com cada sílaba numa simetria perfeita, tudo do mais certo. Inspirador.
O disco foi feito na medida. Disputou acirradamente o título de “o melhor disco” com o Ventura, outro grande álbum, mas como eu sou suspeito, prefiro não opinar sobre isso. Como sempre disse o “ruivo”: “... a lacuna é o convite, o ruído a sedução...” esse disco veio recheado de lacunas, de espaços a serem preenchidos pelo pressentimento, pela intuição.
Agora no mês de janeiro os quatro voltam a se enfurnar num sítio no interior do Rio de Janeiro para prepararem um novo trabalho. Vão ser aproximadamente 2 meses longe de tudo e de todos, passando o dia inteiro empenhados na lapidação de cada nova canção. A ansiedade é grande, mas a esperança em um novo tesouro musical é maior ainda. Vamos torcer
Somos todos hermanos.
segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

Fala pessoal, esperei até os 45 do segundo tempo por um daqueles textos fodas que o Rauzito*escreve tão bem, mas acho que o cara deve ter secado algumas gafarras do bom e velho "sangue de boi" neste Natal...
Eu fiquei só na experiência com cervejas baratas diversas ( schin, Glacial, brahma, Kaiser), tudo ao mesmo tempo agora!!*
Fica aí uma tirinha de Natal minha que foi publicada ontem no Super Notícias!!
* Raul, recebi seu recado de Natal... Só não sei se o meu chegou até vc.
Se não, Feliz Natal pra vc e sua famíla brother
* Não deu pra tomar a velha e burguesa Boêmia, que o Gordinho me apresentou em Sete Lagoas... Mas tudo bem, é Natal!!
domingo, 17 de dezembro de 2006
Como é que é?
Abraços!
01.você é homem ou mulher? ” Homem Primata”
02. descreva-se: ”Ser Estranho”
03. o que as pessoas acham de você? ”Eu Não Vou Dizer Nada (Além do Que Estou Dizendo)”
04. como descreveria seu último relacionamento amoroso? ”Era Uma Vez”
05. descreva sua atual relação com seu namorada(o) ou pretendente: ”Amanhã Não Se Sabe”
06. onde queria estar agora? ”Sonífera Ilha”
07. o que pensa a respeito do amor? ”Não Vou Me Adaptar”
08. como é sua vida? ”Aqui É Legal”
09. o que pediria se pudesse ter apenas um desejo? ”Qualquer Negócio”
10. escreva uma frase sábia: ”Felizes São Os Peixes”
11. Dar o butão? ”Eu Prefiro Correr”
12. agora se despeça: ”AA UU”
sexta-feira, 15 de dezembro de 2006
Diga-se de passagem que esse cara foi uma espécie de Jimi Hendrix baiano, o pioneiro do rock no Brasil sem sombra de dúvida.
Foi influencia para grandes nomes da música atual e pra mim também, é claro.
Sem ele a música nesse país não seria a mesma, tenham certeza disso.
Magias, bruxarias, maldições e bizarrices desse tipo eram com ele mesmo, portanto acho que fiz uma escolha propícia.
Já adivinharam? É... Raul Santos Seixas.
01.você é homem ou mulher? ”O homem”
02. descreva-se: ”Sou o que sou”
03. o que as pessoas acham de você? ”Maluco Beleza”
04. como descreveria seu último relacionamento amoroso? ”Tapanacara”
05. descreva sua atual relação com seu namorada(o) ou pretendente: ”Planos de papel”
06. onde queria estar agora? ”No fundo do quintal da escola”
07. o que pensa a respeito do amor? ”Moleque maravilhoso”
08. como é sua vida? ”rock’n’roll”
09. o que pediria se pudesse ter apenas um desejo? ”Não quero mais andar na contra-mão”
10. escreva uma frase sábia: ”Eu sou Eu, Nicuri é o Diabo”
11.quer dar o butão? ”Conversa pra boi dormir”
12. agora se despeça: ”Quando acabar o maluco sou eu”
Acho que deu pra me salvar né?
Fico aguardando a resposta do Alves para indicarmos os próximos 5 amaldiçoados...
sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

É fim de ano de novo, mas confesso que até agora minha consciência não percebeu tal fato. Ainda não avisaram meu espírito natalino, hibernando lá no fundo do guarda-roupa d’alma que é tempo de pensar em coisa legais pra se comprar, em fazer planos para o décimo terceiro, em se entupir de porcarias “comestíveis” que o ambiente nefasto em que vivemos nos impõe consumir, em vislumbrar a possibilidade de uma viagenzinha no próximo mês, mesmo que isso implique coisas que você não tem; como tempo vago para atividades dessa natureza.
Juro que meu corpo pensa que ainda é maio ou junho, e não desacelera. Não sente a mínima vontade de reduzir o ritmo, muito menos se entregar a fadiga dessa época em que estamos. Passo pelas vitrines, vejo os comerciais, participo das conversas, mas nada. Aquele cheiro bom de preparativos, o clima inerente a esse período, o sonho impossível que você tem lá no fundo desde criança (porque quando você nasceu já existia Hollywood) de que caia neve no dia 25 e não exista miséria e fome no mundo nesta data, enfim, essa carga de sentidos distintos que anulam a epifania do Natal, mas colorem o planeta. Pois é, não sinto nada disso.
Talvez a sobrecarga, ou o sobretempo (palavra com a qual defino a imaginária sobreposição do tempo, interrompendo seu ciclo linear e conseqüentemente reciclando-o); ou até mesmo a aptidão de perceber que não se está vivendo, mas se está apenas participando como um coadjuvante da historinha da vida e não há qualquer ferramenta útil ao seu alcance. Ou talvez a ordem natural das coisas, e uma bobagem de grande porte da minha parte, nessa busca por um anestésico barato.
Ao que tudo indica, quando vier o choque, o estalo, o abrir dos olhos, o acordar pra vida, o enxergar o que está abaixo do nariz, eu vou estar ligeiramente despreparado e tudo passará numa velocidade assustadora, impedindo a minha participação efetiva nos acontecimentos da minha própria vida.
Minha segunda consciência – que é quem vos fala – percebe as coisas antes da primeira. Esta última, por trabalhar em tempo integral, passa às vezes por crises como a de agora, e não consegue se desprender do que meu alicerce cerebral pondera como importante. Durante o sono, que é quando deveria acompanhar o resto de mim e descansar, ela continua inserindo funções em células, fazendo auto-somas e vínculos de planilha. Perdeu o juízo a coitadinha?
Sei que o pedaço da vida guardado para conquistas e conclusões está perto de passar pelo tempo presente, da mesma forma que os pedaços do vinil com o refrão e o solo de guitarra passam pela agulha e saem pelas caixas de som. Vai ser como uma projeção real dentro do espelho, com imagens do mesmo tamanho e com um fundo musical. Talvez haja frases entre os intervalos de silêncio – ou de som, se assim se preferir – e mensagens claras dizendo o que se deverá fazer.
Penso que as urgências que tomaram meu tempo sem planejamento por todo o sempre até aqui irão se dissolver no ar, ou pelo menos pesar para um outro lado que não o meu.
REFERENCIAL TEÓRICO:
Segundo cientistas israelenses, em tarefas que exigem muita atenção (como identificar uma imagem em uma série rápida de figuras), o cérebro concentra esforços em áreas sensoriais e silencia uma região associada ao sentimento de introspecção. O que significa que, diante de uma tarefa difícil, você literalmente esquece que a vida existe. (Superinteressante – edição 299 – ago/2006)
He he... é rir pra não chorar. E se você leu esse desabafo até aqui, obrigado.
domingo, 3 de dezembro de 2006
Mil Acasos
Samuel Rosa e Chico Amaral
Mil acasos me levam a você
O sábado, o signo, o carnaval
Mil acasos me tomam pela mão
A feira, o feriado nacional
Mil acasos me levam a perder
O senso, o ritmo habitual
Mil acasos me levam a você
No início, no meio ou no final
Me levam a você
De um jeito desigual
Mil acasos apontam a direção
Desvio de rota é tão normal
Mil acasos me levam a você
No mundo concreto ou virtual
Me levam a você
De um jeito desigual
Mil acasos me levam por aí
Na espuma do tempo, no temporal
Mil acasos me dizem o que sou
Ateu praticante, ocidental
Me levam a você
De um jeito desigual
Quem sabe, então, por um acaso
Perdido no tempo ou no espaço
Seus passos queiram se juntar aos meus
Seus braços queiram se juntar aos meus
quarta-feira, 29 de novembro de 2006
Posso rir do sofrimento.
Mistérios existem para simular profundidade.
Sou rasa, fútil. Não reverencio a primavera,
a mais sádica das estações.
Desde a infância, ela floresce minha asma.
Posso adiar a morte,
nunca o nascimento.
É impossível cortar a semente.
domingo, 26 de novembro de 2006
Curva de Rio
quarta-feira, 22 de novembro de 2006
Fim de Noite

*Sei lá de que canto escuro do meu pensamento veio isso...
Fantasma
Quando ninguém te vê na rua
E você passa, assim de mansinho pelas manhãs
Sem se olhar no rosto de ninguém
Talvez aí (só aí) você sinta o que é solidão
O estado “sem”
Se o relógio quebrado na parede já não marca as suas horas
É sinal que o tempo já passou por aí, foi
Sem você perceber o dano
E o que vem?
Quando um velho amor morreu
E você se abraçou aos restos
Pedaços do que já foi seu
As nuvens coloriram o céu de cinza
E só elas choraram
E você vem?
Eu, flutuo translúcido em seu pensamento
Sei que isso não é dor
É esquecimento
E grito:
-Meu bem, meu bem
Capitulações sobre o cotidiano
* O Atlético voltou à primeira divisão sagrando-se campeão da série B, todos sabem. O que eu espero agora é que a gente transborde aquele mineirão de gente no próximo sábado. Vamos bater o nosso próprio recorde de torcida e tentar colocar 65000 atleticanos dentro daquele estádio. Agradecimentos muito especiais ao Levir, um técnico de verdade, um cara foda! e pra terminar com um clichê: vamo subir galôôôô!
* A crise nos aeroportos do país insiste em ser manchete em todos os jornais, mas como eu não ando de avião mesmo, foda-se!
* Encontrei um definição perfeita para "Emo" no blog Os Canastras onde a Sam mais uma galera legal escreve umas coisas legais também. Para saber é só clicar aqui
domingo, 19 de novembro de 2006
sexta-feira, 17 de novembro de 2006
DUTO
Não pensei uma vez sequer na linha de combate;
linha de rugas.
Nunca me propus a comandar o corso.
Nunca me vi subalterno ao ódio.
Nunca mensurei atitudes sem prévia prospecção.
Adiei o grito sem pensar na mudez.
Entendi que nada envelhece sem alguma violência.
E que o canto nem sempre descende da alegria.
Há um duto interior por onde dores e alegrias entram;
e é por ele que palavras saem para se dissolverem no ar.
As que poluem duram pouco tempo.
As que purificam ficam.
Ficam firmes e indeléveis
como doenças impregnadas nos colchões;
contagiam vidas quando se revestem de som;
fazem lembrar alguma coisa que não lembramos antes;
resíduo do nosso primitivismo individual.
Como fruta que volta à primeira semente;
Como cinza de árvore que alimenta a raiz.
Como som de coração batendo, reverberando dentro do ventre
antes do primeiro centímetro visível de embrião.
terça-feira, 14 de novembro de 2006
Mensagem

Incrível como as canções de protesto do ano de 1933 ainda fazem sentido hoje, 73 anos depois. Descobri esse samba num disco do Chico chamado "Sinal Fechado" que comprei por R$10,90 nas Americanas (salve Americanas!) . Ainda quero ouvir a versão original cantada pelo próprio Noel que deve ser incrível, mas pra quem não conhece, vale a pena correr até unidade das Lojas Americanas mais próxima e pegar esse tesouro.
Filosofia
Noel Rosa
O mundo me condena, e ninguém tem pena
Falando sempre mal do meu nome
Deixando de saber se eu vou morrer de sede
Ou se vou morrer de fome
Mas a filosofia hoje me auxilia
A viver indiferente assim
Nesta prontidão sem fim
Vou fingindo que sou rico
Pra ninguém zombar de mim
Não me incomodo que você me diga
Que a sociedade é minha inimiga
Pois cantando neste mundo
Vivo escravo do meu samba, muito embora vagabundo
Quanto a você da aristocracia
Que tem dinheiro, mas não compra alegria
Há de viver eternamente sendo escrava dessa gente
Que cultiva hipocrisia
terça-feira, 7 de novembro de 2006
Chuva
Mas trago um temporal dentro do peito
Vários mundinhos num só lugar nenhum
Onde foi parar você dentro de mim?
Eu sei?
Vai, não liga pra minha tristeza, não
Ainda estou "passarim de asa quebrada"
Mas, um dia, vou voar no meio desta chuva
Sem molhar meu coração de lágrimas
E pousar sereno em suas mãos
sábado, 4 de novembro de 2006
Momento...
quarta-feira, 25 de outubro de 2006
avião
tranquila
nas asas do vento
seu coração "calmar"
quando a cidade aparecer no chão
e você sorrir e lembrar
das coisas que nem sei se vão ainda dentro de você
solta seus cabelos
deixa o vento te levar
e vai
sábado, 21 de outubro de 2006
VOCÊ
Você que tem que estudar à noite e chegar à sala de aula sempre ofegante e no momento exato do término da explicação; quando o professor pede exercícios sobre o que acabou de explicar. Você que em fins de mês – às vezes, por todo o mês - não pode ir até a lanchonete na hora do intervalo da aula, pois tudo o que tem na carteira é a conta exata da passagem de volta do lotação.
Você que às vezes atrasa no banheiro na volta do horário de almoço ou no meio da aula, só pra poder chorar um pouco. Você que também descobriu que o ser humano tende a ser sozinho e se assustou quando percebeu que também estava seguindo essa tendência.
Você que acredita em democracia, socialismo, milagres, vida em outros planetas, amor verdadeiro (mas não eterno), Deus. Você que não acredita em horóscopo, outras vidas, fantasmas, diplomas, televisão. Você que sonha com independência financeira e pensa em financiar o próprio apartamento sem contar pra ninguém, nem para seus pais. Você que sonha em conhecer outros países e apesar dos pesares continuar morando aqui.
Você que tenta sempre enxergar além, que minimiza os defeitos dos outros fazendo com que eles se sintam bem. Você que pensa que a pessoa pela qual você espera também já te espera ansiosa, sem saber que vocês vão se encontrar em muito pouco tempo. Você que não descarta os fumantes (mesmo que seja um pseudo-fumante que fuma três cigarros por ano e se arrepende depois de cada um com medo de se viciar), porque sabe que cada um precisa de um subterfúgio. Você que não liga pra manias, mas foge de modismos. Você que não tem um estilo definido para se vestir, mas sempre está em metamorfose.
Você que quase sempre ouve mais do que fala, mas em algumas poucas vezes fala demais só pra desabafar e depois de ter falado sente aquela vontade enorme de morrer. Você que como toda e qualquer criatura do sexo feminino vivente na face da terra possui seus defeitos: opta pelo menos prático, carrega na bolsa coisas inúteis só para ter dor na coluna depois por causa do peso, demora muito para escolher entre mais de duas coisas seja lá quais forem as coisas, gasta sempre mais do que o salário que ganha e compra coisas sem a menor utilidade para a própria vida só porque são bonitinhas, engraçadas ou coloridas.
Você que não repudia a idéia de ter mais de dois filhos e não usa argumentos clichês como o de que vai ficar muxibenta e capenga. Você que tem vontade de viver por muito tempo; ficar bem velhinha e poder ver as gerações passando por você. Você que vai aceitar os percalços da idade sem problemas. Desde que você tenha audição pra ouvir música - como sempre adorou a vida inteira - até seu último dia, tudo bem. Você que sabe que é difícil ser feliz, mas não desiste de ser de jeito nenhum. Você que supõe o céu num olhar e tem a varinha mágica pra revirar meu destino, desenhar comigo um projetinho de vida.
Você que se chama Maria, Joana, Lúcia, Fernanda, *Paula, Carolina, Virginia, *Samara. Você que vai ter um nome que com certeza vou adorar repetir. Você que existe em qualquer lugar aqui por perto.
Me diga onde está você!
* Qualquer semelhança com a vida real não é uma coincidência.
quarta-feira, 18 de outubro de 2006
quinta-feira, 5 de outubro de 2006
Micro-Romance
sexta-feira, 29 de setembro de 2006
ABRIGO

Onde habita o segredo
De ser sem mostrar pra vida
Chegou o novo pescado
Presente do dia-a-dia
E os filhos chegam correndo
Pro encontro com os pais e barcos
Que no esplendor dos sorrisos
Se aliviam como o mar
E os pés ficam marcados
Na trilha feita na areia
Caminho até o abrigo
De todo contentamento
Ali não vive tormento
O mar acalenta a vida
A calma vem com o vento
E o pão de todos os dias
Como um milagre não cessa
Sempre se deixa encontrar
Sem saber que é parte grande
Dessa engrenagem que move
O peixe que é alimento;
É animal de estimação.
No mar que mata a sede
Do sol que queima o asfalto
Onde ainda andam a margem
Os pescadores vigiam:
Janelas bebem o vento.
Homens sonham com o mar.
Ao encontrar o pescado
A vida toda é um sonho
Quase tudo é garantia
A maré traz o amanhã
Pois tudo que há nesse mundo
É menor que o oceano
Que reflete sobre a terra
(luz) sem encontrar conclusão
Onde habita o segredo
Um muro divide a vida
O dia de cada dia
Sempre renasce com o sol
E sempre estão separados
O mar e o resto do mundo
Os pescadores de um lado;
Os pecadores do outro.
quarta-feira, 27 de setembro de 2006
O RIO
Corre o sangue sujo, que vejo agora
Ele escorre, invade
O mundo que não gira como o meu
Reflete o céu sem estrelas da cidade
Segue manso e sem meandros -seu caminho
Vai despejar peixinhos mortos no mar
E dormir
segunda-feira, 25 de setembro de 2006
VINHETA
Quando Meu Coração Parou
Você na rua
Eu te desejo pra mim
Você na lua
Flores no meu jardim
Você na sua
Pedacinho do fim
sábado, 23 de setembro de 2006
Outra vida

A vida ensina uma vez pra que a gente aprenda. E ela é rude. Não mede a dor que vai causar, não se importa se a lágrima vai cair. Faz do que era bom o pior. Faz pior: bate na cara para que não precise fazer de novo, para que a lição seja passada uma vez só e surja o efeito necessário. O problema é quando a gente não aprende de primeira, quando somos ignorantes o bastante pra não entender o que é simples demais.
O amor usado à revelia se machuca demais durante o percurso, enche-se de brechas, deixa espaço para o egoísmo entrar. É preciso cuidar do amor. Ser careta, covarde se for preciso. Negar a certas coisas para que as estruturas não se abalem. Negar a si mesmo, para ser no outro o resto que te falta. Entender que frases bonitas como essa aí atrás são dificílimas de cumprir na vida real. E acima de tudo, perceber que a fidelidade sob qualquer circunstância é a força motriz para a longevidade com a qual todos sonham.
terça-feira, 19 de setembro de 2006
SAMBA RASO
Transformo o real em fantasia
Pra anunciar o dia
Que eu deixar de te amar
Se preciso for
Vou quebrar a simetria
Pra ser só o que eu queria
Ser só eu neste lugar
Se preciso for
Transformo dor em poesia
Pra matar a nostalgia
Que me faz sempre voltar
sábado, 16 de setembro de 2006
DE VOLTA
quarta-feira, 13 de setembro de 2006
Parece até mentira...

Nos EUA, o uso de medicamentos como entorpecentes já tomou uma dimensão tão grande que o número total de usuários de analgésicos, tranqüilizantes, estimulantes e sedativos para esse fim já ultrapassa 6,3 milhões – mais que o dobro dos consumidores de cocaína do país.
O impacto do abuso desses remédios é sentido nos pronto-socorros. Em 1999, 2 milhões de pessoas foram hospitalizadas e 140 mil morreram devido a efeitos de remédios prescritos por médicos, enquanto o número de mortes causadas por todas as drogas ilegais foi de
É um paradoxo: ainda há muita dificuldade para usar drogas ilegais como remédios, mas quase nenhuma para usar remédios como drogas.
domingo, 10 de setembro de 2006
Genótipo

A força da continuação,
ereção hereditária da natureza,
faz arvorar pelos pés
e enraizar pelas mãos
os resquícios de nós mesmos
vindos de nossos antepassados.
Os cromossomos adubam o sangue
com seus genes imutáveis.
Um dia os sangues se misturam
e um genótipo novo surge
em meio ao caos.
Na mesma instância
em outro ser
genes já cansados de adubar o sangue;
decidem adubar a terra.
Destino e contingência andam lado a lado,
quase de mãos dadas
num silêncio só.
Saber essa verdade
é tão grave quanto saber da canção latente
que espera a vinda de um momento maior;
alegria da concepção.
Descubro: é a terra que cava em nós princípios de finalidade.
quarta-feira, 6 de setembro de 2006
TODAS AS LETRAS
Todas as letras
Como é que posso esquecer seu rosto?
Todas as letras da nossa canção?
Se o seu amor ainda é uma seta
Atravessada no meu coração
Meu coração que batia depressa
Vontade e ânsia de te encontrar
Pra te trazer de novo pra essa festa
Que guardo -muda- dentro do olhar
Como é que eu posso esquecer seu gosto?
Se seu desgosto carrego nas mãos
Que vivem cheias desta tua ausência
Para sempre atadas pela solidão
segunda-feira, 4 de setembro de 2006
quinta-feira, 31 de agosto de 2006
A SEDE DO PEIXE
A sede do peixe (Para o que não tem solução)(Milton Nascimento e Márcio Guedes)
Para o que o suor não me deu
O fogo do amor ensinou
Ser o barro embaixo do sol
Ser chuva lavrando sertão
Qual Aleijadinho de Sabará
E a semente das bananas
Para o que não tem solução
A sede do peixe ensinou
Não me vale a água do mar
Nem vinho, nem glória, navio
Nem o sal da língua que beija o frio
Nem ao menos toda raiva
Para o que não tem mais razão
A calma do louco ensinou
A dizer nada
Para o que não tem mais nada
A calma do louco ensinou
A dizer razão
terça-feira, 29 de agosto de 2006
UM LUGAR
domingo, 27 de agosto de 2006
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quinta-feira, 24 de agosto de 2006
terça-feira, 22 de agosto de 2006
Álvares de Azevedo
segunda-feira, 21 de agosto de 2006
Canção de Domingo
Hoje é domingo, Raul
É chegada a hora
De ligar a tv
Ou se entristecer com a aurora
Hoje é domingo, Raul
Eu sei...
A solidão dói bem mais que a demora
De ver o dia morrer
E você pensa:
O que fazer agora?
Hoje é domingo, Raul
Cadê seu violão?
Toca uma canção
Canção de domingo
sábado, 19 de agosto de 2006

Procurei entender os sinais
suspensos entre as colunas
e as fechaduras. Empenhei-me
em esclarecer os recados
apressados de socorro,
o tambor lacerado das paredes.
Decifrei os grafites dos banheiros
públicos, as inscrições puídas
no lenho, os volantes
recebidos no trânsito.
A vida com erros de ortografia
tem mais sentido.
Ninguém ama com bons modos.
quinta-feira, 17 de agosto de 2006
Mais uma letra...
Abri os braços
Chuvinha invisível da noite que me molhou
Vou...
Só eu na rua
Sou eu na sua
Você passou
E eu nem sei se sorri
Você passou
E eu nem sei se sofri
Abri o peito
Pra mostrar meu coração
Mas ele não estava ali
O músculo alforriado disse não
Partiu, vai longe daqui
Eu quis chorar
E enxugar as lágrimas com as pétalas
Das flores que te dei
Eu quis voltar
Mas, o caminho já não sei
Você passou
E eu não estava aqui
Você passou
Dentro de mim
quarta-feira, 16 de agosto de 2006
Time
Aí estamos. O time que compôs o Manual Cerebral enquanto projeto musical.Uma banda de rock. No quarto da irmã do Léo, a Manu, que teve a boa vontade de emprestar seu nobre aconchego para que pudéssemos ensaiar.
Da direita pra esquerda: André (baixo), Marquito (vocal), Eu, (guitarra), Léo (batera) e agachado na nossa frente o Geremias (teclados).
Só faltou o Alves na foto, mas é que ele não estava presente nesse ensaio, apesar de que com certeza estava torcendo por nós...
Valeu pela força galera! Espero que possamos continuar com a mesma vontade dia após dia!
terça-feira, 15 de agosto de 2006
Semente

Passei semanas me dedicando a um projeto que parecia ser real - ou pelo menos palpável.
De tudo se fez esperança. Pensamos que aconteceria.
Não.
De nada vale a mensagem, o espírito que acompanha o som, a voz que sobe e que desce conforme mandam instrumentos.
Não.
Fomos apenas atores. De tanto olhar as luzes, as pupilas se secaram.
Por tanto tempo mudo, a garganta dilatou.
De tanto cultivar o sonho na cabeça, a semente morreu antes de germinar em outras cabeças.
(Mas a semente brotou dentro da gente.)
quarta-feira, 9 de agosto de 2006
Bobagens
segunda-feira, 7 de agosto de 2006
A Morte do Poeta
Eu matei o poeta
Sei que ele te incomodava
Por muito tempo foi assim
Sorria!!
Matei o poeta
Não houve grito, nem lágrimas
O poeta morreu calado
Nenhuma gota de sangue
Sujou minhas mãos
Poetas morrem assim como nascem
Sem muito estardalhaço
Nenhuma notícia no jornal
Sem ninguém perguntar na pracinha
Passarinho voando longe sem dar aviso
É... Matei o poeta
Ninguém mais o vê, só eu
Ele está sentado ali no sofá
Fuma seu cigarro Souza Paiol
E sorri...
Seu sorriso irônico
quinta-feira, 3 de agosto de 2006
Um Pedaço do Escuro

Escuro. Meu corpo colado no dela numa dança cega. Acho sua orelha com uma leve mordida. Gemido. Minhas mãos tocando seus pêlos, minha boca procurando seus seios. Sinto que ela sorri, mas dos seus olhos não sei nada. Estão fechados ou abertos fitando a noite do quarto? Não sei. Na verdade não importa, só quero estar dentro dela... Encher o quarto de nós dois.
quarta-feira, 2 de agosto de 2006
sábado, 22 de julho de 2006
Farejando o Passado
quinta-feira, 20 de julho de 2006
(in)CONCLUSÃO

(As dívidas e as dúvidas disputam um espaço maior agora. A que vencer vai se tornar prioridade impreterível).
Existe muita coisa que ganha e perde importância com o passar do tempo, mas perceber isso é que é o difícil. Quando se dá conta, aquilo que era importante já não existe mais, ou aquilo que não valia nada passa a permanecer o tempo todo sob sua atenção.
Quem define o que – ou o que define quem - vale a pena entrar em voga?
Daí o questionamento, do questionamento as descobertas, das descobertas os pensamentos, dos pensamentos as conclusões.
Dentre as conclusões mais importantes que um cidadão pode adquirir, se destaca o conceito de limitação. Mais do que isso, a humildade do indivíduo em admitir sua limitação. É ver aquilo que é absolutamente intangível e aceitar que esquecer daquilo é a melhor forma de se conformar.
Agradeço: Obrigado, Oh Bom Deus, porque me destes uma mente sã, e a ciência plena de que existem coisas que nunca pude, não posso, e jamais vou conseguir ter ou fazer por mais que eu queira. Dou-te graças, porque me permitindo perceber essa verdade, posso destinar minhas forças e meu tempo a atividades mais úteis em prol da minha própria edificação, ao invés de ficar tentando fazer coisas impossíveis. Obrigado por me dar essa condição que tu destes a poucos até hoje, pelo menos é o que tenho percebido.
Agora alguém, exceto Deus, me responda: Há disputa mais inconclusiva do que aquela travada entre as dívidas e as dúvidas?
terça-feira, 18 de julho de 2006
Uma Canção
A Estação
Se o amor vier bem devagar
Grita logo, que ele vem
Não demora muito pra chegar
À essa hora já pegou o trem
Vem correndo, vai te encontrar
Vai trazer de novo o seu "alguém"
Desfazer as horas, e o lugar
Ao te chamar de novo:
"Vem meu bem"!
sábado, 15 de julho de 2006

É bom saber que o mundo é grande quando não se tem ninguém.
É um consolo imaginar que em algum lugar por aí existe alguém que cabe certinho nos moldes que o destino preparou pra você e portanto pode viver ao seu lado, e que esse alguém também procura alguém igualzinho a você, que se veste como você, que fala como você, que tem as manias que você tem. Ou seja, é acreditar que sua cara metade está perambulando por qualquer canto do mundo e que a possibilidade de vocês se encontrarem e viverem um amor feliz e eterno existe.
Sinto vontade de sair a procura desse alguém as vezes, mas já aprendi que fazer planos é o exercício mais vão a que alguem pode se dedicar.
Prefiro acreditar que o próprio destino vai resolver isso pra mim.
quarta-feira, 12 de julho de 2006
POR INFLUÊNCIA DO MEU PAI

O ano era 1987, e esse foi o primeiro livro de desenhos que ganhei. Presente do meu pai. O livro tava emprestado com um amigo meu das "antigas" e, eu nem lembrava mais que ele existia. Resistiu bravamente ao tempo e as traças, só pra me encher de saudade de um tempo bom que, como já dizia Thaíde, não volta nunca mais.
terça-feira, 11 de julho de 2006
AMOR-PERFEITO

Parei pra pensar: Por que será que é tão difícil se desprender de um amor antigo?
Deve haver uma resposta bastante objetiva, mas nesse contexto há sentimentos demais entrando em choque, há pensamentos demais procurando lugar seguro.
O medo de iludir (e de se iludir, por que não?), a dúvida em saber se você quer ou não estar fazendo aquilo, não saber se a vida está andando pra trás ou se é você que está tomando atitudes espontâneas, querer que o tempo esteja submisso a você para que você possa voltar nele toda vez que quiser.
Às vezes é meu próprio egoísmo que me põe na lona, e pra me reconstruir só serve o orgulho. Pelo menos esse estado me permitiu fazer a grande descoberta de que o amor mais imperfeito não é menos amor. Talvez demorasse uma vida inteira pra que eu descobrisse isso, mas não, aconteceu agora. Bonito. O amor se realiza na esfera de sua própria contingência e por isso é que vale tanto...
Posso até ter ido longe demais, mas, chegar até a porta da certeza e voltar ao alicerce da dúvida faz a gente elevar o pensamento, mesmo que nada do que eu tenha dito aqui tenha me ajudado a encontrar resposta.
Por que será que é tão difícil se desprender de um amor antigo?
domingo, 9 de julho de 2006
O TREM DA VIDA

Esse desenho é um trecho de uma HQ que estou fazendo. No caso, a estória de um maquinista cansado com a monotonia do percurso que é obrigado a fazer todos os dias. Sempre passando pelos mesmos lugares, pegando as mesmas pessoas, as mesmas paradas... O engraçado é que hoje, andando pela beira da lagoa, senti esse mesmo cansaço, essa vontade de abraçar o nada. Será que o trem da minha vida vai descarrilhar também?
quarta-feira, 5 de julho de 2006
Cem Palavras para descrever o momento...

Lô- ônibus-escola-papo-noite-caminhos-perdas-danos-veredas-ali-pato-formato-pedaços-benjor-estrelas-meninas-sorrisos-livro-carro-partir-andar-mínimo-mais-som-chão-flor-futebol-amanhã-espera-cactus-ausência-camaradas-músicas-longe-desenho-mão-violões-lagoa-calma-sereno-hermanos-vidas-latrinas-solidão-chuva-diamantes-verde-pedaço-correr-cinquenta-sertão-alguém-alguma-hora-qualquer-devagar- acordar-meio-sonho-meia-azul-voltar-cidade-sete-segundo-relógio-tempo-quebrado-pia-coração-contorno-mente-ilusão-cerebral-para-nasci-manual-amor-quase-fatal-algoz-sol-madrugada-sorriso-garota-pegada-beijo-escapa-passeio-sob-pedras-roseiras-tambor-bate-cara-semblante-novo-amigo-velho-travessia.
domingo, 2 de julho de 2006
Adição













